Presidente da Colômbia pede suspensão de tarifas a Trump após terremoto

Em meio à crise gerada pelo forte terremoto que deixou mais de 280 mortos nesta semana, o presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, pediu neste sábado, 15, a suspensão temporária das tarifas alfandegárias impostas pelos Estados Unidos sobre o país.
As tarifas impostas pelo governo de Donald Trump sobre produtos colombianos passaram, no fim de julho, de 10% para 12,5%, com algumas exceções, como café e petróleo.
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“Pedi que considerasse a suspensão temporária das altas tarifas que afetam os produtos colombianos, a fim de aliviar nossos empresários, que estão enfrentando momentos muito difíceis devido aos efeitos do terremoto”, escreveu De la Espriella no X, antigo Twitter.
O empresário assumiu a Presidência três dias antes do desastre e recebeu críticas por aceitar apenas socorristas enviados pelos governos de mesmo matiz ideológico — Estados Unidos, El Salvador, Equador e Israel. O chanceler Omar Bula afirmou que o recebimento de ajuda não teve “nenhuma consideração política”.
A presidente do México, a esquerdista Claudia Sheinbaum, afirmou que a Colômbia vetou o envio de socorristas militares mexicanos por falta de uma certificação.
“Eles são certificados, mas agora estão exigindo outra certificação”, disse ela.
Na sexta-feira, o Banco Mundial anunciou a liberação de US$ 200 milhões (mais de R$ 1 bilhão) em recursos emergenciais para a resposta ao tremor.
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De acordo com o último balanço oficial, ao menos 281 vidas foram ceifadas pelo tremor de magnitude 7,4 na segunda-feira 10, o mais forte a ser registrado por aquelas paragens neste século. Além disso, há mais de 3.900 feridos e ao meno 379 pessoas seguem desaparecidas sob montanhas de escombros, chapas metálicas e fios pendurados. O sismo também destruiu mais de 10 mil moradias, deixando famílias inteiras desabrigadas.
O terremoto teve epicentro perto de San José del Palmar, em Chocó, uma das regiões mais pobres do país. Ali, a fase de busca e resgate já terminou, mas são urgentes as ações de ajuda às pessoas afetadas. As autoridades apelaram que as guerrilhas que aterrorizam a região permitam a entrada de alimentos, medicamentos e equipes do governo.
“A probabilidade de encontrar sobreviventes está se esgotando”, reconheceu David Tamayo, diretor da Unidade Nacional para a Gestão do Risco de Desastres (UNGRD), “mas o lema é não deixar de buscar, não descansar até que possamos informar que encontramos estas pessoas, tomara vivas, ou recuperar seus corpos se estão nos escombros”, completou ele numa mensagem em vídeo publicada na noite de quinta-feira.
Enquanto isso, os tremores secundários e os danos estruturais complicam os trabalhos de resgate.
Em Cali, uma das cidades onde mais edifícios caíram, parques e ruas se transformaram em acampamentos improvisados. María del Carmen Rodríguez, de 72 anos, perdeu o apartamento pelo qual economizou durante toda a vida, e agora passa em uma quadra de futebol as noites quentes ao lado do marido, de 76 anos.
“A gente se pergunta a que tipo de ajuda temos direito, se vão nos realocar para outro lugar, porque isso vai longe”, contou ela à agência de notícias AFP.
O terremoto também abalou cemitérios. Em um povoado próximo a Cali, os mortos saíram de seus túmulos.
A região cafeeira do país é outra das áreas mais atingidas. Na cidade de Pereira, Javier Alzate recuperava os poucos pertences que haviam sido salvos de sua casa, com a ajuda de um grupo de pessoas. “Não há mais alternativa, é preciso tirá-las de lá porque, se chover, tudo estará perdido”, disse à AFP o psicólogo de 79 anos.
A solidariedade amenizou as árduas jornadas de busca e ajudou a reduzir a escassez. Milhares de pessoas chegam aos bairros afetados com água, comida e medicamentos. Também são distribuídos abraços, como apoio emocional em meio à angústia.
“Estamos passando por um trauma coletivo e acho que a melhor maneira que eu também poderia ajudar era, bem, oferecendo a energia que tenho e a vitalidade que me resta”, disse Andrés Solomón, um músico de Cali, de 46 anos, com uma faixa que dizia: “Abraços aqui”.
