‘Revolucionária’: Dramaturgo traz Elke Maravilha de volta à cena

‘Revolucionária’: Dramaturgo traz Elke Maravilha de volta à cena

Uma das mais extravagantes figuras da TV brasileira, Elke Maravilha (1945-2016) marcou gerações. Nascida em Leutkirch, na Alemanha, ela se mudou para o Brasil ainda na infância, em meio ao contexto do pós-Segunda Guerra Mundial, e construiu por aqui uma carreira marcada pela irreverência. Em homenagem à artista, o ator e dramaturgo Igor Castilho idealizou o monólogo Quero Ser Elke Maravilha, que estreou no Rio na última sexta-feira, 14, e segue em cartaz até o dia 30.

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Nascido em Piracicaba, no interior de São Paulo, Igor deu os primeiros passos em um ambiente que, segundo ele, era bastante matriarcal. A forte presença feminina na família despertou uma admiração pelas mulheres que acabou transbordando para sua relação com a dramaturgia. Entre as referências estão personagens como Nazaré Tedesco e Odete Roitman, além de personalidades como a própria Elke.

A identificação com Elke ganhou outra dimensão durante sua formação. Crescer como um homem LGBT em um ambiente conservador do interior fez com que a artista se tornasse uma referência de liberdade e de aceitação da própria diferença. “Eu olhava para aquela mulher extravagante e exuberante na tela do computador, dizendo ‘está tudo bem chamar atenção, está tudo bem ser diferente’ e pensava: ‘essa mulher está me falando algo que nunca ouvi’. E isso foi, para mim, revolucionário”, conta à coluna GENTE.

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A admiração impulsionou Igor a sonhar com uma homenagem à artista, mas o caminho até o palco foi longo. Embora já tivesse uma ligação com o teatro, inseguranças financeiras fizeram com que ele optasse por construir uma carreira no Direito. Mudou-se para o Rio de Janeiro, onde dividiu o tempo entre as aulas do curso na UFRJ e os estudos de teatro no tradicional Tablado.

“Hoje vejo que fui muito sábio e tenho orgulho de ter tomado essa decisão. Porque prestei Direito, exerço a advocacia hoje, e é ela que me permite financiar meus projetos culturais. Concilio uma vida de trabalho em um grande escritório e, paralelamente, desenvolvo meus projetos artísticos e culturais”, afirma.

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Foi a partir dessa trajetória que nasceu Quero Ser Elke Maravilha, monólogo fortemente inspirado na experiência pessoal de Igor. Na peça, um menino é apelidado de Elke Maravilha pelos colegas de escola e, intrigado com a origem do apelido, começa a pesquisar sobre a artista. Ao descobrir sua história, passa a se identificar com aquela mulher que transformou a extravagância em uma forma de existir. Para o dramaturgo, o espetáculo nasce não apenas do desejo de compartilhar sua própria relação com Elke, mas também da vontade de manter viva a memória da artista.

“Ela era uma mulher tão querida e importante para a cultura nacional, tão importante para o que o Brasil entende hoje como moda, e não vinha sendo lembrada. Eu sinto quase uma dívida do Brasil com a Elke — por mais que ela própria não goste dessa palavra. Mas o que digo é: por que não estamos falando de Elke? Meu objetivo genuíno era trazer um espetáculo para as pessoas matarem as saudades da Elke e, não só isso, entenderem como ela pode impactar na nossa percepção enquanto sociedade”, finaliza.

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