O verdadeiro motivo de Tereza Cristina não ter virado vice de Flávio Bolsonaro

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Em tempos pré-escândalo do Banco Master, o senador e presidente do Progressistas Ciro Nogueira (PP-PI) foi seriamente considerado como provável candidato a vice na chapa de Flávio Bolsonaro. Depois de virem a público suas relações com o banqueiro Daniel Vorcaro e de negociações de bastidores, Nogueira abandonou o barco e deu aval para que a senadora Tereza Cristina (PP-MS) pudesse buscar apoio dentro da legenda e se cacifar para o posto. Um movimento recente, retratado na reportagem de capa da edição de VEJA que chega nesta semana às bancas e plataformas digitais, mostra que investigações sob a tutela da Polícia Federal tiveram um papel decisivo na neutralidade do PP na corrida presidencial deste ano.
Presidente do PP e vice-presidente de uma federação de 109 deputados federais, o cacique confidenciou a parlamentares que, depois de ter dado aval para que a senadora Tereza Cristina buscasse apoio de seções estaduais do partido para ser candidata a vice, ele próprio foi a campo para que os diretórios retirassem o endosso ao nome da parlamentar, apontada como ativo da direita na busca pelo voto feminino. O motivo: um aliado da estreita confiança de Ciro havia recebido tempos antes a promessa de que o aceno poderia poupar o senador de constrangimentos policiais às vésperas da eleição. Ele decidiu não pagar para ver.
Candidato a renovar o mandato no Senado, o presidente do PP já havia sentido cheiro de fumaça quando uma operação da Polícia Civil do Piauí atingiu no final do ano passado um ex-assessor por suspeitas de ligação com um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo postos de gasolina. Auxiliares próximos acreditam que a incursão tinha como objetivo apreender celulares para, em uma possível pesca probatória, se chegar ao nome do cacique do Centrão. Se a estratégia vingasse, o caso seria levado a Brasília e, na sequência, a PF entraria na jogada.
Episódios como esse, é bom que se diga, não eximem agentes públicos sob suspeita de darem explicações públicas ao eleitor. Ciro Nogueira, por exemplo, é investigado por indícios de ter colocado o mandato a serviço de interesses de Daniel Vorcaro, de ter apresentado uma proposta que quadruplicaria o saldo que o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) cobriria em caso de falcatruas como as do Master e de ter recebido, entre outras benesses, pagamentos mensais do banqueiro, viagens e uso ilimitado de um imóvel de luxo. Procurado, o senador não se manifestou.
