Para os franceses, a derrota foi como a do Brasil na Copa de 1982

Para os franceses, a derrota foi como a do Brasil na Copa de 1982

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A França buscava a terceira final consecutiva, feito que apenas o Brasil de 1994, 1998 e 2002 e a Alemanha de 1982, 1986 e 1990 tinham conseguido. A França tem um trio de ataque de sorrir, com Mbappé, Dembélé e Olise. A França buscava o tricampeonato mundial, depois das vitórias de 1998 e 2018. O camisa 10 sonhava em alcançar recordes – ele tem 18 gols em três Copas, atrás apenas de Lionel Messi, com 19. Nesse mundial, o francês e o argentino somam 8 cada um. Dava-se como muito provável que os Bleus, de futebol vistoso, para a frente, de passes rápidos e luminosos, chegassem à final – e para muitos, inclusive aqui nesse espaço, o escrete azul tangenciava a fenomenal canarinho de 1970, a do tri, com Jairzinho, Tostão, Pelé e Rivellino. E então, em um 14 de julho, a Bastilha caiu. A França foi dominada pela Espanha de Rodri, Fabián Ruiz e Cucurella.

É uma pena, embora a Fúria tenha um time excelente, de toque de bola inigualável – o toque de bola de origem espanhol, lá do início dos anos 2000, e quem em 2010 chegou ao campeonato mundial. Houve tempo de vacas magras, mas a estrada foi reconstruída. Para a França, e cabe aqui uma outra comparação com o Brasil, a derrota desta terça-feira de 2026 em Dallas soa como a do Brasil em um certo 5 de julho de 1982, em Sevilha, para choro e espanto de Zico, Sócrates, Falcão e cia. “Neste 14 de julho, o dia de glória deles não chegou”, escreveu o diário esportivo L’Équipe, citando a letra da Marselhesa. Do jornal Libération: “Depois do apito final, os torcedores correram para casa, desolados. Muitos vagavam pelas ruas do Marais, atordoados pela derrota inesperada”. Do Le Monde: “O fim do sonho azul”. Do conservador e patriótico Le Parisien: “Era uma semifinal de Copa do Mundo, e os Bleus decepcionaram, sem conseguir se superar. Em contraste, os comandados de Luis de la Fuente fizeram sua melhor partida no torneio, em um dia que valia em dobro. Eles lembraram a todos que o futebol continua sendo um esforço coletivo, mesmo que os Bleus tenham jogado como um time unido nos Estados Unidos. Faltou aquele último lampejo de energia nacional. O espetáculo foi cancelado.”

Homem de camiseta branca, cabelo cacheado, com as mãos na cabeça e olhos fechados, sentado em uma cadeira de madeira em uma calçada de café parisiense à noite. Ao fundo, pessoas sentadas em mesas iluminadas e um edifício com cúpula
O desespero em Paris: o fim do sonho da terceira final consecutiva (Martin LELIEVRE/AFP)

Houve a decepção da derrota para a Argentina, em 2022 – mas naquele dezembro do Catar, depois de estar perdendo por 2 a 0, a França conseguiu arrastar a partida para a prorrogação, com 3 a 3 no tempo regulamentar. Foi heroico, com uma atuação de tirar o fôlego de Mbappé. Hoje, não. O resumo do baile espanhol: Mbappé, Dembélé e Olise para sempre de mãos dadas com Zico, Sócrates e Falcão. Com um detalhe: Mbappé e o treinador Didier Deschamps foram campeões do mundo em 2018. Claro, claro, o impacto de uma derrota futebolística, na França, não tem a dimensão brasileira, mas ainda assim o feriado terminou escuro, em estrago que levará um tempo para ser cicatrizado. Mas os franceses terão nova chance, em 2030, com uma equipe ainda jovem – antes da próxima Copa, porém, haverá a inglória disputa pelo terceiro lugar contra Argentina ou Inglaterra no sábado, 18. “Allons enfants…”

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