O que se sabe sobre o grupo conservador que vai ocupar a Avenida Paulista no 1º de Maio

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A Avenida Paulista, tradicional palco de manifestações no Dia do Trabalho, será neste 1º de Maio será ocupada exclusivamente por grupos conservadores. A autorização, concedida pela Polícia Militar com base no critério de antecedência dos pedidos, colocou no centro do debate três movimentos até então de pouca projeção nacional.
Quem são os grupos que vão ocupar a Paulista?
O ato será organizado por três movimentos: Patriotas do QG, Voz da Nação e Marcha da Liberdade. Individualmente, eles têm atuação limitada no debate público.
O Patriotas do QG, principal articulador da iniciativa, é liderado pelo corretor de imóveis Carlos Dias e mantém presença sobretudo nas redes sociais, com um perfil de conteúdo alinhado ao bolsonarismo. Já os outros dois grupos têm atuação mais difusa e pouca estrutura digital.
O que une esses movimentos?
Os três grupos estão ligados ao Projeto União Brasil, uma organização civil criada em 2019 que reúne mais de uma centena de movimentos com pautas conservadoras, cristãs e patrióticas.
O projeto agrega diferentes frentes, incluindo juristas, militantes pró-armas e apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro. Apesar da afinidade ideológica, seus organizadores afirmam que o movimento não tem vínculo formal com partidos ou campanhas eleitorais.
Qual é o histórico dessas articulações?
O mesmo conjunto de movimentos já esteve envolvido na organização de um ato na Avenida Paulista em 1º de maio de 2021. Na ocasião, participaram figuras como Carla Zambelli, Roberto Jefferson e Padre Kelmon.
Naquele evento, os discursos abordaram temas como críticas às urnas eletrônicas e às medidas de isolamento social durante a pandemia.
O que será o ato deste ano?
Segundo os organizadores, a manifestação terá caráter mais institucional e evitará confrontos diretos.
“Ninguém vai atacar ninguém no ato”, afirmou Malta Jones, fundador do Projeto União Brasil. “Teremos alguns louvores e cantos e discursos em defesa dos valores conservadores cristãos.”
A previsão é que o evento ocorra entre 11h e 18h30, com carros de som posicionados em pontos estratégicos da avenida, como o Masp e a sede da Fiesp.
Por que a direita ficou com a Paulista?
A decisão da Polícia Militar foi baseada no critério de ordem de chegada dos pedidos de autorização. O grupo Patriotas do QG solicitou o uso da via ainda em 2025, o que garantiu prioridade.
Em reunião com representantes de diferentes movimentos, a PM também considerou questões de segurança, destacando o risco de conflitos em ano eleitoral.
Com isso, outros cinco pedidos — incluindo dois de centrais sindicais de esquerda — foram rejeitados para a Paulista.
Para onde foram os atos da esquerda?
Após a decisão, movimentos sindicais e lideranças políticas reorganizaram suas manifestações em outros pontos da cidade.
A central CSP-Conlutas programou ato na Praça da República, enquanto a deputada Érika Hilton convocou apoiadores para a Praça Roosevelt, ambos no mesmo horário da manifestação na Paulista.
