IBC-Br sobe 0,6% e analistas veem economia resiliente, porém sem força para acelerar em 2026

O Banco Central divulgou nesta quinta-feira (16) que o IBC-Br, indicador acompanhado pelo mercado como uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), avançou 0,6% em fevereiro de 2026 na comparação com janeiro, na série com ajuste sazonal.
O resultado reforça a leitura de que a economia brasileira segue em expansão no começo do ano, embora em ritmo mais moderado. Na composição do índice, a indústria liderou o desempenho do período, com alta de 1,2%. O setor de serviços cresceu 0,3%, enquanto a agropecuária avançou 0,2%.
No trimestre encerrado em fevereiro, frente aos três meses finalizados em novembro de 2025, o indicador acumulou alta de 1,1%. Em 12 meses, o crescimento foi de 1,9%. Para Heliezer Jacob, economista do C6 Bank, o dado veio dentro do esperado e confirma uma atividade ainda resistente. “O IBC-Br subiu 0,6% em relação a janeiro, um dado um pouco mais forte do que a nossa projeção de 0,5%. Mas consideramos que o resultado veio em linha, tanto pela composição, próxima do que esperávamos, quanto pela magnitude do desvio. Seguimos enxergando um PIB crescendo próximo de 1,5% no primeiro trimestre e uma atividade que desacelera, mas continua bastante resiliente”, afirma.
Na avaliação de Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos, o número mostra crescimento, porém ainda sem força estrutural para acelerar a economia. “A leitura do IBC-Br reforça um cenário de crescimento técnico, mas sem aceleração estrutural. A alta mensal de 0,6% é consistente, mas, quando combinada com o avanço limitado no acumulado, aponta para uma economia que cresce abaixo do seu potencial”, diz.
O executivo destaca que esse cenário tem impacto direto sobre o mercado de crédito. “Para o mercado de FIDCs, esse ambiente é ambíguo. De um lado, a desaceleração pode aumentar a demanda por estruturas alternativas de financiamento, já que empresas buscam liquidez fora do sistema bancário tradicional. De outro, exige um nível maior de rigor na análise de risco, dado que a capacidade de pagamento tende a ficar mais pressionada”, completa.
Já Gustavo Assis, CEO da Asset Bank, avalia que o resultado indica uma atividade mais seletiva e dependente de setores específicos. “A alta de 0,6% do IBC-Br em fevereiro reforça um cenário de crescimento ainda presente, mas claramente mais seletivo e dependente de setores específicos, como a indústria. Quando se observa a desaceleração e o avanço modesto no acumulado, o dado passa a indicar uma economia que cresce com menor intensidade”, afirma.
Segundo ele, esse ambiente favorece alternativas ao crédito tradicional. “Em cenários de crescimento mais moderado e juros elevados, o crédito tradicional tende a ficar mais restritivo, abrindo espaço para soluções estruturadas, como os FIDCs, que conseguem adaptar prazo, risco e fluxo às necessidades reais das empresas”, explica.
As avaliações convergem para a percepção de que a economia brasileira segue crescendo em 2026, mas sem impulso suficiente para acelerar o ciclo econômico. Com isso, a trajetória dos juros, a oferta de crédito e o ambiente externo continuam no centro das atenções do mercado.
