Dólar avança a R$ 5,17 e Ibovespa recua com foco nos próximos passos do Fed

O Ibovespa encerrou o pregão desta sexta-feira (5) em queda de 0,65%, aos 169.228 pontos, refletindo a combinação de fatores externos e domésticos que mantiveram os investidores em posição mais defensiva ao longo da sessão. No mercado de câmbio, o dólar à vista fechou em alta, cotado a 5,17 reais com aumento de 1,78%.
O principal destaque do dia foi a divulgação do payroll dos Estados Unidos. O relatório mostrou a criação de 172 mil vagas de trabalho em maio, enquanto a taxa de desemprego permaneceu estável em 4,3%. Embora os números indiquem moderação na geração de empregos em relação aos meses anteriores, o mercado de trabalho americano segue resiliente, reduzindo as apostas de cortes mais rápidos nos juros pelo Federal Reserve.
A leitura predominante entre investidores é que a economia dos Estados Unidos continua apresentando força suficiente para permitir que o banco central mantenha uma postura cautelosa em relação ao início de um ciclo de afrouxamento monetário. Esse cenário tende a fortalecer o dólar globalmente e diminuir o apetite por ativos considerados mais arriscados, como ações de mercados emergentes.
Em relação as ações, os grandes bancos, o único que encerrou o pregão em baixa foi o Banco do Brasil (BBAS3) com -1,18%. Já no azul o Itaú (ITUB4) conduz a liderança com 0,83% seguido pelo Santander (SANB11) com 0,52% e o Bradesco (BBDC4) com 0,46%.
No cenário internacional, as atenções também permaneceram voltadas para o Oriente Médio. O fracasso de novas tentativas de cessar-fogo envolvendo grupos apoiados pelo Irã e as incertezas sobre uma possível retomada das negociações diplomáticas aumentaram a aversão ao risco nos mercados globais, levando investidores a buscar ativos mais seguros.
Além do ambiente externo, o mercado brasileiro continua repercutindo a saída de 14,91 bilhões de reais da Bolsa em maio. O movimento é interpretado por analistas como um sinal de maior seletividade dos investidores diante das incertezas econômicas e políticas que começam a ganhar força no horizonte de 2026.
Para Gustavo Assis, CEO da Asset Bank, a redução do fluxo de capital para a renda variável brasileira reforça uma recalibragem do risco Brasil. “O risco eleitoral no segundo semestre pode ampliar esse movimento, porque investidores passam a exigir mais governança, garantias, previsibilidade de caixa e estruturas bem desenhadas antes de alocar recursos”, afirma.
Segundo o executivo, o atual momento exige uma análise mais criteriosa dos ativos. “O capital não desaparece, mas passa a ser direcionado com mais critério. Em momentos de maior incerteza, fatores como liquidez, prazo e qualidade dos ativos ganham ainda mais relevância para os investidores”, destaca.
