O comprimido que pode salvar os rins e evitar uma diálise no futuro já está entre nós

O comprimido que pode salvar os rins e evitar uma diálise no futuro já está entre nós

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Um medicamento já utilizado para proteger os rins de pessoas com diabetes tipo 2 pode beneficiar também pacientes que não apresentam a doença. Essa é a principal conclusão de um importante estudo publicado no reputado periódico médico New England Journalof Medicine.

A pesquisa avaliou a finerenona, remédio que bloqueia de forma seletiva um receptor nas células de órgãos como os rins cuja ativação excessiva está associada a processos inflamatórios e a danos que progressivamente abalam a saúde, contribuindo para a doença renal crônica

O avanço é relevante porque os estudos anteriores sobre a finerenona haviam se concentrado em pacientes com doença renal crônica e diabetes tipo 2. Agora, o novo trabalho mostra que a estratégia também pode ajudar um grupo expressivo de pessoas que até então não estava contemplado pelas evidências disponíveis.

Embora o diabetes seja a causa mais comum de doença renal crônica, mais da metade dos casos ocorre em pessoas sem essa condição. A doença afeta cerca de 800 milhões de adultos no mundo e pode avançar silenciosamente até estágios mais graves, com necessidade de diálise ou transplante.

O ensaio clínico foi liderado por pesquisadores australianos e holandeses e contemplou 1.584 adultos com doença renal crônica e presença aumentada de proteínas na urina — e sem diagnóstico de diabetes. Todos já recebiam medicamentos considerados essenciais no tratamento. Os voluntários foram divididos aleatoriamente para receber finerenona ou placebo – comprimidos sem princípio ativo.

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Após 32 meses, a função renal diminuiu mais lentamente entre aqueles tratados com finerenona. A perda anual da taxa de filtração glomerular estimada, indicador usado para acompanhar o funcionamento dos rins, foi de 3,3 mililitros por minuto por 1,73 metro quadrado no grupo que recebeu o medicamento. No grupo placebo, a redução chegou a 4.

A diferença pode parecer pequena à primeira vista, mas é clinicamente importante em uma doença marcada pela perda contínua e progressiva da capacidade renal. 

O tratamento também foi associado a uma redução de 23% no risco de um desfecho combinado que incluía piora acentuada da função renal, falência dos rins, internação por insuficiência cardíaca ou morte por causas cardiovasculares. Esses eventos ocorreram em 13,9% dos participantes que receberam finerenona e em 16,9% daqueles tratados com placebo.

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Os pesquisadores destacam, porém, que o estudo foi desenhado principalmente para avaliar a velocidade de perda da função renal. Por isso, os resultados relacionados às complicações clínicas precisam ser interpretados com cautela e acompanhados por novas pesquisas.

O efeito adverso mais frequente foi o aumento do nível de potássio no sangue. O problema ocorreu em 17% dos pacientes tratados com finerenona e em 13,3% no grupo placebo. Casos graves foram incomuns, mas o achado reforça a necessidade de acompanhamento médico e monitoramento laboratorial durante o uso do medicamento.

Esses resultados representam uma evolução importante no tratamento da doença renal crônica: em vez de restringir a proteção oferecida pela finerenona aos pacientes com diabetes tipo 2, o estudo amplia a perspectiva terapêutica para pessoas sem diabetes, que também enfrentam risco significativo de perda da função renal e complicações cardiovasculares.

 

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