Tarifa dos EUA poupa petróleo, minério de ferro, café e mais de 2 mil produtos brasileiros

Apesar de incluir o Brasil entre os países que enfrentarão uma tarifa adicional de 12,5% por supostas falhas no combate ao trabalho forçado em cadeias produtivas, os Estados Unidos deixaram de fora da medida mais de 2 mil produtos.
A lista de exceções, divulgada pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), preserva parte significativa das exportações brasileiras para o mercado americano.
A sobretaxa passa a valer à 0h01 desta sexta-feira (24), no horário de Washington, e integra uma nova rodada de medidas comerciais que atinge cerca de 60 parceiros dos Estados Unidos.
Na avaliação do governo americano, países que não adotam mecanismos eficazes para impedir a entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado devem enfrentar uma tarifa maior, de 12,5%. Aqueles considerados mais alinhados às exigências americanas receberão uma alíquota de 10%.
Embora o Brasil tenha sido enquadrado na tarifa mais elevada, diversos produtos estratégicos para a balança comercial permanecem isentos.
A exclusão busca evitar impactos sobre cadeias consideradas críticas para a economia americana, como energia, mineração, alimentos e tecnologia.
+ EUA ampliam pressão comercial e impõem nova tarifa de 12,5% sobre produtos do Brasil
Principais produtos que ficaram de fora
Entre os itens isentos da nova tarifa estão:
Energia: petróleo bruto, derivados, gás natural, carvão e energia elétrica.
Mineração: minério de ferro, cobre, manganês, níquel, nióbio, estanho, prata e outros minerais metálicos.
Agronegócio: café, suco de laranja, cacau, castanha-do-pará, castanha de caju, coco, bananas, mangas, mamão, mandioca e outras frutas e produtos tropicais.
Carnes: carne bovina in natura, congelada ou processada e outros produtos de origem animal.
Insumos agrícolas: fertilizantes, matérias-primas para defensivos e diversos produtos químicos industriais.
Celulose e madeira: pasta de celulose, madeira e derivados.
Tecnologia: computadores, componentes eletrônicos, semicondutores, equipamentos para fabricação de chips e parte dos smartphones e dispositivos de armazenamento.
Lista privilegia insumos estratégicos
A maior parte das exceções contempla matérias-primas, commodities e componentes industriais considerados essenciais para cadeias produtivas americanas.
Também foram preservados equipamentos ligados à indústria de semicondutores, setor tratado como estratégico por Washington desde a pandemia e intensificado pela disputa tecnológica com a China.
Especialistas avaliam que a ampla lista de isenções reduz significativamente o impacto potencial da nova tarifa sobre as exportações brasileiras, embora segmentos não contemplados pelas exceções possam enfrentar perda de competitividade no mercado americano.
A medida integra uma investigação conduzida pelo USTR, que concluiu que o Brasil e outros países não adotam controles suficientes para impedir a importação de produtos fabricados com trabalho forçado.
Brasília contesta a avaliação e estuda medidas para mitigar os efeitos das novas barreiras comerciais.
