Violência digital contra crianças dispara em julho

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As férias escolares deste mês trouxeram uma preocupação a mais para pais e autoridades: o aumento da violência nas redes sociais. Com crianças e adolescentes passando mais tempo em casa, conectados a plataformas de conversa e jogos online, a Polícia Civil de São Paulo identificou uma explosão dos números de casos. “Durante o ano letivo, os crimes acontecem de madrugada, mas agora migraram também para o período diurno”, diz Lisandrea Colabuono, delegada do Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad), vinculado à corporação. “Os casos de violência digital contra menores aumentaram 78% durante o período de férias.”
O NOA foi montado há pouco mais de dois anos justamente para entender esse tipo de violência, que começa no mundo virtual e se completa na realidade dura. O núcleo reúne uma equipe de inteligência, que vigia, investiga, reúne provas e tenta evitar a escalada da violência. O que nem sempre é possível. A ideia é proteger crianças e adolescentes, que acabam frequentando este lado obscuro da web, e identificar e coibir os agressores.
As vítimas, em geral, são envolvidas, por criminosos que conquistam a confiança. Conseguem informações priviegiadas sobre a família e até fotos comprometedoras. Daí começa o bullying, ameaça e chantagem, que fazem as vítimas perderem controle, entrarem em desespero, cedendo as mais diversos tipos de pressão. Acabam submetidos às situações mais inimagináveis, como estupros virtuais, extorsão sexual, indução à automutilação, divulgação de violência extrema e transmissões ao vivo de maus-tratos contra animais.
O fenômeno tem um agravante, que preocupa os investigadores. Embora crianças e adolescentes sejam as principais vítimas, grande parte dos autores também é formada por adolescentes, que construíram até uma hierarquia do crime construída pelas atrociades que promovem abertamente. Muitos são recrutados por comunidades digitais que transformam a violência em forma de entretenimento ou de reconhecimento dentro dos grupos. A partir daí, passam a participar de crimes, incentivar novos integrantes e reproduzir práticas cada vez mais violentas. Para a polícia, as férias ampliam os dois lados do problema. Aumenta o tempo para sofrer, mas também o tempo para fazer sofrer.
