Prefeito de Nova York recua de imposto imobiliário após reação do mercado

Prefeito de Nova York recua de imposto imobiliário após reação do mercado

O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, desistiu de sua proposta de aumentar em 9,5% o imposto sobre imóveis da cidade após enfrentar forte reação de proprietários, do setor imobiliário e de investidores.

A medida, apresentada em fevereiro como uma alternativa “de último recurso” para reduzir o déficit orçamentário estimado em US$ 12 bilhões, poderia gerar cerca de US$ 3,7 bilhões por ano.

O recuo marca uma derrota política relevante para Mamdani, eleito com um discurso de aumento da taxação sobre os mais ricos e expansão de investimentos públicos.

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Desde o início do mandato, o prefeito tenta encontrar fontes de receita para equilibrar as contas da maior cidade dos Estados Unidos sem depender exclusivamente de cortes de gastos.

Agora, a prefeitura concentra esforços numa proposta mais restrita: a criação de uma “pied-à-terre tax”, imposto voltado a segundas residências avaliadas em mais de US$ 5 milhões.

A medida vem sendo negociada com a governadora de Nova York, Kathy Hochul, e deve arrecadar cerca de US$ 500 milhões anuais, valor muito inferior ao esperado com o aumento amplo do imposto imobiliário.

Reação de empresários e do mercado

A proposta inicial provocou críticas imediatas do mercado imobiliário e de empresários ligados a Wall Street. Proprietários argumentaram que o aumento atingiria não apenas bilionários, mas também famílias de classe média já pressionadas pelo alto custo de vida na cidade.

O bilionário Ken Griffin, fundador da gestora Citadel e um dos principais nomes do mercado financeiro americano, tornou-se símbolo do embate após ser citado por Mamdani em vídeos defendendo a taxação dos mais ricos. Griffin reagiu publicamente, afirmou que ampliaria investimentos em Miami e acusou a prefeitura de hostilidade ao capital privado.

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O tema acabou atraindo também a atenção do presidente Donald Trump, que saiu em defesa do empresário. Em entrevista a uma rádio americana, Trump afirmou que Nova York “não pode perder pessoas como Ken Griffin” e alertou para o risco de fuga de investidores e grandes contribuintes.

Pressão fiscal e limites políticos

A dificuldade de Mamdani em aprovar novos impostos evidencia os limites políticos enfrentados por administrações progressistas nos Estados Unidos, especialmente em cidades dependentes da arrecadação do mercado financeiro e do setor imobiliário.

O prefeito havia defendido inicialmente aumentos de impostos sobre grandes empresas e milionários, estimando arrecadação próxima de US$ 9 bilhões. As propostas, porém, encontraram resistência da governadora Hochul, que disputa a reeleição e evita apoiar medidas que possam ser interpretadas como aumento generalizado de carga tributária.

Sem apoio estadual suficiente, a prefeitura passou a defender o reajuste do imposto imobiliário, que acabou enfrentando rejeição até mesmo entre parte da base eleitoral democrata.

Déficit bilionário e dependência do estado

Segundo a prefeitura, um acordo com o governo estadual prevê cerca de US$ 4 bilhões adicionais em repasses para ajudar a fechar o rombo fiscal da cidade. Somados a compromissos anteriores do estado, os recursos poderiam cobrir grande parte do déficit previsto para os próximos dois anos.

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Ainda assim, analistas apontam que Nova York continuará pressionada por gastos elevados com habitação, transporte, imigração e serviços sociais, além da desaceleração do mercado imobiliário comercial após a pandemia.

Economistas também alertam que a disputa em torno dos impostos reflete um debate mais amplo que vem ganhando força nos EUA: até que ponto cidades altamente dependentes de grandes fortunas conseguem ampliar tributação sem estimular a migração de empresas e investidores para estados com menor carga fiscal, como Flórida e Texas.

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