PGR apura crimes de cinco grandes indústrias que apoiaram a ditadura militar

A PGR de Paulo Gonet abriu, nesta semana, uma série de procedimentos para acompanhar investigações contra empresas por colaboração com o regime militar que vigorou no país entre 1964 e 1988.
As ações da PGR miram Embraer, Fiat Automóveis, Usiminas, ArcelorMittal e a siderúrgica Vallourec. O subprocurador-geral Nicolao Dino cita a “necessidade premente de apurar a colaboração e a cumplicidade empresarial com o aparato repressivo do período ditatorial, visando a efetiva produção probatória e a reparação histórica dos danos”.
Em alguns casos, Dino chega a detalhar elementos colhidos pelo órgão para investigar as empresas. Sobre a Vallourec, o subprocurador afirma que os procuradores têm provas robustas contra a empresa, anteriormente batizada de Companhia Siderúrgica Mannsmann. “O caso da Companhia Siderúrgica Mannesmann (atualmente Vallourec) envolve provas robustas sobre o financiamento do aparato repressivo em Minas Gerais, incluindo indícios de participação em articulações com autoridades estaduais voltadas à sustentação do regime instaurado e de suas práticas repressivas”, diz Dino.
Em relação à antiga Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira, atual ArcelorMittal, o subprocurador vai na mesma linha, ao apontar a “relevância estratégica e a robustez probatória do caso da Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira (atualmente ArcelorMittal), cujas evidências de colaboração com a ditadura civil-militar foram objeto de pesquisas históricas especializadas desenvolvidas por acadêmicos da Universidade Federal de São Paulo”.
A Usiminas é citada como uma investigação de “relevância estratégica”, porque “abrange investigações sobre o Massacre de Ipatinga e a repressão a movimentos grevistas ocorridos no contexto de preparação e sustentação da ditadura militar”.
Já sobre a Fiat, Dino afirma que a investigação acerca da colaboração empresarial com estruturas de repressão estatal “contribui para o aprimoramento da responsabilidade corporativa, bem como para a construção de parâmetros institucionais de accountability, transparência e reparação integral às vítimas e à coletividade”.
