Começa a maior Copa do Mundo de todos os tempos

Começa a maior Copa do Mundo de todos os tempos

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Acabou a espera. Nesta quinta, 11, o jogo entre México e África do Sul às 16h (horário de Brasília), no lendário Estádio Azteca, na Cidade do México, será o pontapé inicial da maior Copa do Mundo de todos os tempos. Sem exagero. Os principais nomes do esporte mais popular do planeta protagonizam um evento de credenciais maiúsculas que extrapolam as quatro linhas do campo. Serão 1.248 jogadores de 48 seleções em busca do sonho máximo de se sagrar campeão mundial. Quanto ao amante do futebol, este terá 104 jogos para acompanhar entre 11 de 19 de julho.

Participantes inéditos

Desde 2017, se sabia que esta Copa do Mundo seria a maior. Foi aprovado, por unanimidade, em Conselho da Fifa em janeiro daquele ano a expansão do torneio a partir de 2026, de 32 seleções para 48.

O formato ainda seria definido anos mais tarde, em 2023, com 12 grupos, mantendo as quatro seleções em cada um. A novidade é a fase de 16 avos com os oito melhores terceiros colocados dos grupos se classificando para o mata-mata.

Seleções que há tempos não se classificavam para a competição encontraram a brecha perfeita para retornar ao maior palco do futebol. Noruega, Escócia, Haiti e Congo jogam o torneio pela primeira vez no século. A seleção africana, inclusive, ainda era Zaire quando participou pela última vez em 1974.

A nerve-shredding finale to the CONCACAF qualifying campaign saw Curacao -- with a population of just 156,000 -- squeeze into next year's finals in the United States, Canada and Mexico with a 0-0 draw against Jamaica in Kingston. (Photo by Ricardo MAKYN / AFP)
Curaçao é o menor país a se classificar para a Copa do Mundo (Ricardo MAKYN/AFP)

A seleções novatas também ganharam espaço com mais vagas para cada continente. Nesta edição são quatro estreantes: Cabo Verde, Curaçao, Jordânia e Uzbequistão.

Apesar da expansão, tem o que não muda. Figurinhas carimbadas das últimas edições, como Nigéria, Costa Rica e Sérvia, ficaram de fora da grande festa e para a tetracampeã Itália está se tornando hábito: assistirá ao terceiro Mundial seguido do sofá. De placares mais elásticos a zebras improváveis,  não faltarão as surpresas inesperadas de tantas seleções e suas variáveis.

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Três países-sede

Um ano depois da decisão pelo aumento no número de seleções, chegou a hora de decidir o palco do torneio. Ou melhor, palcos. A candidatura conjunta dos países da América do Norte venceu o Marrocos na disputa para sediar o Mundial. Com a vitória do México, Canadá e Estados Unidos, a Copa do Mundo será sediada pela primeira vez em sua história em três países diferentes, em 16 estádios

WASHINGTON, DC - DECEMBER 05: U.S. President Donald Trump, Claudia Sheinbaum, President of Mexico, and Mark Carney, Prime Minister of Canada, pose for a selfie with Gianni Infantino, President of FIFA, during the FIFA World Cup 2026 Official Draw at John F. Kennedy Center for the Performing Arts on December 05, 2025 in Washington, DC. Kevin Dietsch/Getty Images/AFP (Photo by Kevin Dietsch / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP)
Gianni Infantino, presidente da Fifa faz um selfie com Donald Trump (EUA), Claudia Sheinbaum (México) e Mark Carney (Canadá) no sorteio dos grupos da Copa do Mundo 2026 (Kevin Dietsch/Getty Images)

Para os mexicanos, não é inteira novidade, pois será a terceira vez que o país sediará o torneio. Nas últimas ocasiões, seleções sul-americanas levantaram a taça no Estádio Azteca: Pelé e o esquadrão brasileiro em 1970 e Diego Maradona com a seleção argentina de 86. Dessa vez o estádio será palco da abertura do torneio e o país recebe 13 jogos. 

A final neste ano será no estádio de Nova York e Nova Jersey, em solo estadunidense, no dia 19 de julho. Os EUA também têm sua dose de experiência, sediando pela segunda vez. Apesar de dividir a responsabilidade de anfitriões com seus vizinhos desta vez, receberá a maior parte dos jogos, 78 no total, mais do que as 52 que recebeu no ano do tetracampeonato do Brasil em 1994.

O Canadá é o calouro da conversa, pelo menos no futebol masculino, já que sediou o Mundial feminino em 2015. Assim como o México, receberá 13 jogos da Copa do Mundo nas cidades de Vancouver e Toronto.

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Última dança

Dentro de campo, protagonistas de uma geração se despedem. Lionel Messi e Cristiano Ronaldo interpretam seu último ato no principal palco de seleções.

Messi beija a sonhada taça da Copa do Mundo -
Messi beija a sonhada taça da Copa do Mundo – (Anne-Christine Poujoulat/AFP)

O argentino poderia ter pendurado as chuteiras no auge do título em 2022. Mas continuou. A ida para a liga de futebol nos Estados Unidos, a MLS, não tirou o poderio e inteligência do camisa 10 que aos 38 anos ainda decide jogos com um toque na bola, como fez no último da equipe antes do torneio, diante da Islândia na última terça, 9.

Cristiano Ronaldo vence seu primeiro título saudita
Cristiano Ronaldo vence seu primeiro título saudita (Anadolu/Getty Images)

Para o português, é a sua última chance de tornar Portugal no maior do mundo. Era um sonho impensável, e muitas vezes fora do alcance para a nação costeira que sequer se classificava a todos os Mundiais. Com a presença de Cristiano, não faltou a nenhum. Aos 41 anos, é líder dentro e fora de campo de uma geração de muito potencial, e segue com a chama do futebol viva, que o ainda faz chorar por um título do Campeonato Árabe, entre tantos que conquistou.

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O não menos lendário goleiro mexicano Guillermo Ochoa, que ressurge no imaginário internacional a cada quatro anos, se junta aos atacantes para bater um recorde inaugurado pelo trio: são os primeiros jogadores a participarem de seis Copas do Mundo.

Luka Modrić, da Croácia, e Neymar, do Brasil -
Luka Modrić, da Croácia, e Neymar, do Brasil – camisas 10 devem jogar seus últimos Mundiais (FIFA/Getty Images)

Também devem se despedir do torneio, outros jogadores que tanto fizeram pelo futebol nas últimas décadas: Luka Modric, Kevin de Bruyne, Mohamed Salah, Manuel Neuer e até mesmo Neymar. Eles dão seus últimos passes, dribles e chutes que encantaram o mundo, para abrir alas para a próxima geração de Mbappé, Lamine Yamal, Endrick, Rayan e cia assumir o espetáculo. 

Geopolítica em campo

Fora das quatro linhas, não há drible que desvie do caos. A mais minada das relações é entre Estados Unidos e Irã. O país-sede recebe em seu território a seleção de futebol do seu inimigo bélico de uma guerra sem uma negociação de paz efetiva à vista. A participação dos iranianos foi colocada em xeque pela tensão entre as nações, mas a participação do Team Melli, como é apelidado, está confirmada com algumas adaptações. Os jogadores e comissão técnica, hospedados no México, poderão entrar nos EUA nas véspera dos seus jogos. Assim como outras seleções, a entrada deve ser sob rigorosa revista das autoridades dos EUA

Há ainda a preocupação sanitária do surto de ebola em países africanos. A comissão técnica da República Democrática do Congo cancelou os treinamentos no país que vive surto da doença e realizou a concentração dos jogadores na Bélgica para o Mundial. Apesar de não ter casos registrados no grupo, a prefeitura da cidade espanhola de La Línea de Concepción, na Espanha, negou receber um amistoso da equipe, depois realizado na França. 

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Nos Estados Unidos, onde a seleção congolesa irá jogar, há restrições de entrada para viajantes com passagem em áreas afetadas pelo surto, que inclui a RD Congo, Uganda e Sudão do Sul. Mas os jogadores e a comissão devem ser considerados exceção e poderão entrar mediante aos mesmos testes e isolamento aplicados aos cidadãos americanos. 

O México enfrenta problemas internos com uma escalada de protestos de professores que pedem aumentos salariais de até 100% às vésperas da abertura da Copa do Mundo no país. Nesta terça, 9, manifestantes ocuparam uma avenida que dá acesso ao Estádio Azteca, palco do primeiro jogo do Mundial.

Em fevereiro, o país também enfrentou momentos de tensão com a morte do traficante mais procurado do país, Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como “El Mencho”. Uma onda de violência em mais de 20 Estados foi desencadeada por membros da organização criminosa Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG) em protesto à morte do seu líder. Em Guadalajara, cidade-sede de jogos da Copa do Mundo, trocas de tiro, veículos incendiados levaram a suspensão das aulas e suspensão de jogos de futebol diante da violência. 

Ambiente acende alerta

Outro ponto de atenção será o clima. Em época de verão no hemisfério norte, 97 das 104 partidas podem sofrem com temperatura acima do ideal, segundo levantamento da Climate Central. No jogo entre Brasil e Escócia, no dia 24 de junho, a probabilidade de que o calor prejudique os atletas é de 95%. A Fifa determinou como obrigatório a pausa para hidratação na metade de cada tempo em todos os jogos, independentemente da temperatura ou horário da sua realização. 

Jogadores de futebol descansam no gramado sob o sol, um sem camisa e outros de regata ou camiseta, com um placar ao fundo
Calorão será desafio: Jogadores da Noruega já sofrem com as altas temperaturas nos EUA (Reprodução/Seleção Norueguesa de Futebol/Instagram)
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Tempestades também preocupam. A abertura do Mundial no México, nesta quinta, 11, poderá ser afetado por chuvas torrenciais, e seguindo o protocolo da Fifa as partidas poderão ser interrompidas como na Copa do Mundo de Clubes, realizada nos EUA no último ano, de acordo com o nível de alerta determinado pela entidade.

Onde assistir?

Para acompanhar a maior Copa do Mundo, não faltam opções para o brasileiro. Os direitos de transmissão no Brasil são divididos entre Globo (TV aberta), Sportv (TV fechada), Globoplay (streaming), ge tv (via Globoplay), Cazé TV (Youtube e Prime Video), SBT (TV aberta) e N Sports (Youtube). A Cazé TV será a única a exibir todos os 104 jogos do torneio no YouTube e no Prime Video.

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