Pai do menino Henry Borel teme nova manobra de Jairinho: ‘Júri precisa acontecer’

Recomeça nesta segunda-feira, 25, o júri do caso Henry Borel. O ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, padrasto do menino, e a mãe, a professora Monique Medeiros, serão julgados por homicídio duplamente qualificado. Além dos réus, 26 testemunhas serão ouvidas. Acusação e defesas também terão a oportunidade de apresentar suas versões. O veredicto dos jurados só será revelado ao final de todos os depoimentos e argumentações. O julgamento estava previsto para ocorrer em março, mas uma manobra dos advogados de Jairinho, que abandonaram o plenário, impediu a realização da sessão, forçando o adiamento. O vereador Leniel Borel, pai do menino, teme que a defesa repita a estratégia. “É um escárnio”, afirma a VEJA. “Esse júri precisa acontecer”.
A criança, de quatro anos, morreu em março de 2021 com sinais de agressão no apartamento de Jairinho e Monique, na Barra da Tijuca, zona sudoeste do Rio. Cinco anos após a perda do filho, Leniel reclama da demora para o desfecho do processo. “O sistema judiciário brasileiro me revitimiza todos os dias”.
Leia a entrevista completa com Leniel Borel:
Acha que a defesa de Jairinho pode abandonar novamente o júri?
Estou muito apreensivo com essa possibilidade, que me parece iminente. É mais uma estratégia protelatória. Para ele, a demora é benéfica. Se for condenado, ele pode ser transferido de Bangu 8 para um presídio pior. Quem é do Rio de Janeiro conhece as mordomias de Bangu 8. Por ali passaram Sérgio Cabral e outros politicos em busca de regalias. Nesse sentido, para ele é benéfico continuar ali até o máximo que puder. E tem a possibilidade que, com o tempo, ele consiga alguma decisão estapafúrdia revogando a prisão preventiva por excesso de prazo. Eles buscam isso a todo momento. O que eles querem é que daqui a pouco a gente esqueça. Mas eu não vou esquecer. Eu nunca vou esquecer o meu filho.
A juíza responsável chegou a oficiar a Defensoria do Rio para assumir a defesa de Jairinho se os advogados abandonassem novamente o julgamento, mas o órgão informou que não poderia ficar de prontidão. Na sua avaliação, o Judiciário fez o que podia para impedir um novo adiamento?
Hoje em dia se fala muito em revitimização no sistema de justiça. Aqui tem um pai. O meu filho é uma vítima fatal e eu acabo me tornando uma vítima indireta. Para mim e para a minha família, a revitimização é diária. Todo dia eu tenho que revisitar e clamar por justiça. O sistema judiciário brasileiro me revitimiza todos os dias. Jairo e Monique têm o direito de abandonar o júri se quiserem, dezenas de vezes. Isso é um escárnio. É um sistema que favorece o criminoso.
Se houver uma nova interrupção do julgamento, o que você considera que deveria ser feito para evitar adiamentos sucessivos?
A Defensoria é um órgão nacional. Se um defensor não tem condições de ficar de prontidão, acione-se um outro. E, também, se a defesa do Jairo não quiser fazer esse júri, vamos fazer o júri da Monique.
O STF já determinou celeridade na conclusão do julgamento. Considera que a determinação do tribunal está sendo descumprida?
O que os tribunais estão pedindo é o que a sociedade pede: esse júri precisa acontecer. Não sei o que vai acontecer se os advogados abandonarem de novo, mas alguém com pulso no Judiciário precisa fazer cumprir a justiça em prol das vítimas brasileiras.
Tem esperança de que algum deles faça uma confissão?
Nenhuma. Já ouvi mais de sete versões diferentes da Monique. Quando poderia falar a verdade, ela não falou. Foi presa dormindo junto com o Jairo.
Acha que a estratégia da defesa da Monique, de dizer que ela viveu um relacionamento abusivo, pode surtir efeito com os jurados?
A Monique é pior do que o Jairo, porque ela é a mãe. Ela poderia ter tirado o filho do contexto de agressão. Ela tinha conhecimento do que fazer. Monique era professora, diretora de uma escola. Ela estudou para saber lidar com a violência, inclusive no ambiente doméstico familiar. Agora ela incorpora uma personagem de mulher agredida, violentada, coisa que ela não é. Ela é forte, decidida, manipuladora. A Monique tinha um plano de ascensão social. Nem quando o filho foi morto ela abandonou esse projeto. É uma mãe que vendeu o filho para sua ascensão social. O final trágico do Henry poderia ter sido evitado pela Monique. Ela teve toda a possibilidade de salvar o filho dela, de evitar o pior.
A Thayná foi encontrada para ser ouvida?
Sim. E ela avisou que vai falar tudo o que sabe. Espero que fale a verdade.
Qual condenação você espera?
Cinquenta anos é pouco. O mínimo que aqueles dois precisam é ser condenados a penas exemplares, pela memória do Henri, por mim, como pai que luta todo dia, e pela minha família.
