O grande problema da campanha de Flávio Bolsonaro para além do caso Master

Embora o escândalo do Banco Master siga no radar da disputa presidencial, um grande obstáculo eleitoral de Flávio Bolsonaro pode estar em outro campo. Em entrevista ao VEJA em Foco, apresentado por Marcela Rahal, o diretor do Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo, afirmou que a principal dificuldade do senador hoje não é jurídica, mas política: a incapacidade de mobilizar seus aliados mais influentes. (este texto é um resumo do vídeo acima)
Segundo Hidalgo, o desgaste provocado pelo caso Master parece ter sido em grande parte absorvido. O problema agora é a perda de tração em redutos estratégicos. “Hoje o grande problema do Flávio Bolsonaro, que eu vejo, são alguns colégios eleitorais, principalmente na região Sudeste”, afirmou.
Na leitura do diretor do Paraná Pesquisas, esse movimento está diretamente ligado à ausência de três figuras centrais do bolsonarismo na campanha: o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, o deputado federal Nikolas Ferreira e a ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro.
“Os três principais apoiadores do Flávio Bolsonaro ainda não entraram na campanha”, disse Hidalgo.
Por que Michelle ainda está distante?
No caso de Michelle, a equação é mais delicada. Além de ser um dos nomes de maior apelo popular no eleitorado bolsonarista, sua participação na campanha esbarra em um problema doméstico: o desgaste na relação com Flávio.
A ex-primeira-dama tornou pública sua mágoa com o senador ao afirmar ter sido “maltratada” e “humilhada” por ele após divergências sobre alianças eleitorais no Ceará. Michelle relatou que, ao tentar conversar com o enteado, ouviu que deveria ficar fora das decisões partidárias por não entender de política.
“Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou no telefone”, disse Michelle. Segundo ela, o episódio levou a um afastamento que persiste desde então.
Flávio evitou responder diretamente às críticas e minimizou o conflito em uma transmissão nas redes sociais. O distanciamento, porém, adiciona um componente político sensível: sem reconciliação, um dos ativos mais importantes do bolsonarismo permanece fora de campo.
Tarcísio e Nikolas podem reaquecer a polarização?
Para Hidalgo, tanto Tarcísio quanto Nikolas carregam capital político regional capaz de reverter parte das dificuldades de Flávio. O governador paulista tem influência direta no maior colégio eleitoral do país, enquanto o deputado mineiro mobiliza forte engajamento digital e penetração entre eleitores conservadores.
A entrada ativa dos dois, segundo o analista, teria potencial para reorganizar a disputa e intensificar a polarização com Luiz Inácio Lula da Silva.
“Se esses três players entrarem para valer na campanha de Flávio, a eleição fica muito mais polarizada”, afirmou.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual VEJA em Foco (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.
