O caminho da Espanha até a 2ª final de sua história
A Espanha disputa neste domingo (19) a segunda final de sua história em 17 Copas do Mundo. Desde 2010, quando conquistou o título na África do Sul, essa foi a melhor campanha da atual campeã europeia. A trajetória da Fúria pós-2010 é marcada por fortes contrastes. Após o histórico título mundial, a seleção viveu o “apagão” em Copas com quedas precoces.
Após o auge no conhecido esquema tiki-taka coroado na África do Sul, os mundiais seguintes trouxeram duras frustrações aos espanhóis. No ano anterior ao torneio do Brasil, um amargo vice-campeonato para a seleção brasileira, com um sonoro 3 a 0 a favor do time canarinho da final da Copa das Confederações de 2013, já em território sul-africano.
No ano seguinte, na Copa do Mundo do Brasil (2014), a defesa do título começou com uma goleada sofrida para a Holanda e uma eliminação precoce ainda na fase de grupos. Na Rússia (2018), a Fúria viveu um clima de instabilidade após a demissão do técnico Julen Lopetegui dias antes da estreia, caindo nas oitavas de final para os anfitriões nos pênaltis. O mesmo destino se repetiu no Catar (2022), onde a equipe parou nas oitavas mais uma vez, à época para o Marrocos.
A glória na Euro
O panorama continental, porém, apresentou uma narrativa completamente oposta e vitoriosa. Na Eurocopa de 2024, a seleção espanhola não deu chances aos adversários. Comandada por Luis de la Fuente, a equipe assumiu um estilo de jogo mais vertical e dinâmico, sem abrir mão da imposição técnica.
Com 100% de aproveitamento, ou seja, vencendo todos os sete jogos no tempo normal, a equipe bateu gigantes como Itália, Alemanha e França. Além disso, superou a Inglaterra por 2 × 1 na grande final. O jovem prodígio Lamine Yamal e o volante Rodri foram grandes pilares desta conquista, tornando a Espanha a única tetracampeã isolada do torneio.
Da desconfiança ao protagonismo mundial
A transição no elenco espanhol consolidou o trabalho de Luis de la Fuente e injetou um novo ânimo no país. Carregando o excelente momento do troféu europeu, a seleção recuperou o respeito no mundo da bola e voltou a figurar no topo do esporte.
Nesta Copa, a Fúria começou com um tropeço surpreendente, no empate sem gols contra a estreante seleção de Cabo Verde, com destaque para atuação heroica do goleiro cabo-verdiano Vozinha. Sob pressão na segunda rodada da fase de grupos, a equipe deu uma resposta de candidata ao título com uma goleada dominante contra a Arábia Saudita. Yamal abriu o placar, Mikel Oyarzabal brilhou marcando duas vezes e Al-Tambakti fez contra, na goleada por 4 a 0. Na rodada final, uma vitória pelo placar mínimo contra o decepcionante Uruguai, com gol de Álex Baena, garantiu a liderança isolada da chave com 7 pontos.

No primeiro jogo eliminatório, a Espanha voltou a vencer com autoridade, a exemplo da goleada contra os sauditas. Oyarzabal balançou as redes duas vezes após cruzamentos de Cucurella, e Pedro Porro fechou a conta. Nesse jogo, o goleiro Unai Simón superou o recorde histórico de Walter Zenga de mais tempo sem sofrer gols em Copas.
No clássico ibérico contra Portugal, tensão e muita aplicação tática. A partida foi decidida por um gol solitário que colocou os espanhóis nas quartas de final, em que a La Roja venceria a Bélgica por 2 a 1. Na semifinal contra a poderosa França, uma exibição de gala da Espanha. A equipe neutralizou completamente o ataque comandando por Kylian Mbappé, hoje artilheiro isolado da Copa com 10 gols. Oyarzabal abriu o placar de pênalti (seu 5º gol no torneio) e Pedro Porro definiu a classificação para a final após uma bela jogada coletiva.

Agora, na grande final da Copa do Mundo, a segunda decisão de sua história, a Espanha tem a chance de provar ao mundo que não eliminou a grande favorita França em vão, diante de uma Argentina que se mostrou incansável ao longo do torneio e implacável nos minutos finais das partidas de mata-mata.
