Jovem de Trindade com autismo se encontra na construção civil

Jovem de Trindade com autismo se encontra na construção civil

REALIZAÇÃO PESSOAL

Diagnosticada com autismo apenas na vida adulta, Priscylla enfrentou bullying, preconceito e dificuldades de adaptação antes de entrar na construção civil

Priscylla de Sousa Vicente dos Santos possui diagnóstico de autismo (Foto: reprodução)

1
1

Após receber o diagnóstico tardio de autismo e passar anos enfrentando bullying, preconceito e dificuldades que não conseguia compreender, a jovem Priscylla de Sousa Vicente dos Santos, de 21 anos, encontrou na construção civil uma profissão que a fez se sentir capaz e realizada. Atualmente, ela trabalha de forma autônma com pintura de paredes e afirma que a atividade, além de representar uma oportunidade profissional, também ajuda a aliviar a ansiedade e fortalecer sua autoestima.

“Esse trabalho me mostrou que sou capaz de muita coisa. Eu me cobrava demais e colocava limitações em mim mesma. Trabalhar nessa área alivia muito minha ansiedade porque eu gosto de aprender coisas novas e de manter minha mente ocupada”, explicou ao Mais Goiás.

O diagnóstico de autismo só veio há cerca de dois anos, já na vida adulta, após o marido observar características como hiperfoco, comportamentos repetitivos e sensibilidade sensorial e auditiva.

“Eu tenho hiperfocos, comportamentos repetitivos, sensibilidade sensorial e auditiva e nunca entendi direito o motivo. Só após esse questionamento, minha mãe decidiu revelar o motivo e só recentemente me mostrou meu laudo”, relata.

Priscylla de Sousa Vicente dos Santos (Foto: reprodução)

Diagnóstico tardio e desafios na infância

Segundo ela, descobrir o autismo já adulta foi um processo difícil. Durante anos, acreditou que suas dificuldades eram falhas pessoais. “Muita coisa eu achava que era erro meu. Hoje vejo que várias dessas dificuldades têm relação com o autismo, mas ainda estou me descobrindo. Tem muita coisa que eu ainda não sei separar se é uma dificuldade minha ou do autismo”, contou ao Mais Goiás.

Na infância, as dificuldades eram especialmente perceptíveis nas relações sociais. Ela conta que quase sempre precisava tomar a iniciativa para fazer amizades e, com o tempo, percebeu que muitas das pessoas ao seu redor eram apenas colegas de convivência. Além disso, enfrentou episódios constantes de bullying por precisar de professores de apoio e reforço escolar.

Antes de ingressar na construção civil, Priscylla trabalhou como babá, vendedora e em uma fábrica de estopa. Em diversos momentos, sentia dificuldades para acompanhar o ritmo exigido pelos empregadores e se cobrava excessivamente por isso.

“Eu sempre precisei que me explicassem as coisas mais de uma vez e achava que era burrice minha. Hoje entendo que muitas dessas dificuldades estavam relacionadas ao autismo”, diz.

Construção civil trouxe realização e autonomia

A mudança de trajetória ocorreu após um curso gratuito de pintura de paredes realizado no Instituto Elon Soares, em Trindade. O acolhimento recebido durante a formação foi determinante para que ela seguisse na área.

“Consegui fazer o curso sem dificuldades pois tanto o professor, quanto os colegas me apoiaram, me ajudaram em tudo o que eu precisei, tiveram paciência. Sou muito grata”, afirma.

Apesar da satisfação com a nova profissão, ela ainda enfrenta desafios relacionados ao autismo no ambiente de trabalho. O excesso de barulho, o calor intenso e ambientes abafados podem provocar mal-estar durante as atividades. “No meu primeiro serviço grande, que foi a pintura de um galpão, eu passei muito mal por causa do barulho, do calor e do ambiente abafado. Foi muito agoniante, mas eu continuei trabalhando, não desisti”, relata.

Além da pintura, a jovem faz cursos de impermeabilização, construção a seco e revestimento de pisos. Ela concluiu recentemente a formação em revestimento e pretende ampliar ainda mais os conhecimentos antes de ingressar em uma faculdade.

“Eu quero aprender tudo dentro da área da construção civil. Não só para trabalhar, mas também para usar na minha casa. Tenho vontade de fazer curso de encanador, soldador. Quero conhecer todas as áreas, sem exceção”, afirma.

Fonte Original Mais Goias

Ultimas Noticias

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *