A bronca de juízes do STF com o ministro da Justiça

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No cabo de guerra entre a Polícia Federal e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, juízes da Corte com acesso direto ao presidente Lula reclamaram recentemente ao petista do que consideram “apatia” do chefe da pasta da Justiça Wellington Lima e Silva no desarranjo de policiais federais. O pano de fundo são as investigações que miram Fabio Luís Lula da Silva, o Lulinha, alvo de três inquéritos por suspeitas de tráfico de influência e venda de prestígio dentro do governo, mas não é só.
Integrantes da cúpula do Judiciário ainda não digeriram a postura do diretor-geral da PF Andrei Rodrigues de encaminhar em 2025 ao ministro Edson Fachin, presidente do Supremo, um relatório com achados de investigadores envolvendo o ministro Dias Toffoli e o ex-dono do Banco Master Daniel Vorcaro.
Como se sabe, um resort da família do magistrado recebeu aportes milionários de empresas ligadas a Vorcaro. Toffoli era sócio do empreendimento por meio da empresa Maridt e, segundo ministros ouvidos sob reserva por VEJA, internamente nunca deu explicações sobre a polêmica.
De acordo com esses magistrados, para além das ressalvas dos juízes ao próprio Andrei, Lima e Silva não teria ascendência sobre o diretor-geral para discutir episódios específicos envolvendo policiais federais nem o mesmo trânsito que o próprio diretor, que foi coordenador da equipe de segurança do petista nas eleições, tem sobre o presidente.
Um dos casos relatados pelos juízes a Lula diz respeito à presença de um delegado da PF no gabinete do ministro André Mendonça e a suspeita, sem elementos de prova concretos, de que este policial atuaria de forma paralela na investigação dos processos envolvendo Lulinha.
Para além da teoria conspiratória, o vazamento de uma conversa recente de Mendonça com integrantes do governo – entre eles o próprio ministro da Justiça – tem como objetivo tentar arrastar o magistrado para a arena política e pavimentar o caminho para contestar eventuais decisões que envolvam o primogênito do presidente, o escândalo bilionário de desvios no INSS ou desdobramentos do caso Master. Os três temas são considerados de alta sensibilidade faltando menos de dois meses para o primeiro turno presidencial.
Nos últimos dias, o próprio André Mendonça reclamou a interlocutores da ofensiva da PF para tirá-lo a todo custo da relatoria dos inquéritos que envolvem Lulinha. Foram pelo menos três tentativas de forçar que o caso fosse sorteado entre os ministros do tribunal. Na terceira, uma das investigações foi parar nas mãos de Flávio Dino, antigo superior hierárquico da PF.
