Irã e Omã firmam acordo para compartilhar receita de trânsito pelo Estreito de Ormuz

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A Guarda Revolucionária do Irã (IRGC, na sigla em inglês) anunciou nesta quarta-feira, 26, ter chegado a um acordo com Omã para compartilhar a receita das taxas de navegação pelo Estreito de Ormuz.
“Durante as negociações com Omã, alguns acordos foram firmados sobre qual parte das águas do estreito pertence a cada país e qual parte da receita pertence ao Irã e a Omã”, disse o porta-voz da Guarda, o Exército ideológico do Irã, Hossein Mohebi.
Mohebi também acusou os Estados Unidos de “obstruir” os esforços para chegar a um acordo nas negociações entre Irã e Omã.
O acordo ocorre um dia após o vice-ministro das Relações Exteriores iraniano, Kazem Gharibabadi, afirmar, em pronunciamento na televisão estatal do Irã, que os dois países concordaram que a entrada e a saída da nova rota devem começar em águas territoriais iranianas. No total, o corredor de trânsito terá 11,3 quilômetros de extensão.
Irã e Omã, no entanto, ainda estão trabalhando nos detalhes do acordo, disse uma fonte iraniana sênior à agência de notícias Reuters. “Um acordo com Omã sobre o Estreito de Ormuz não foi finalizado”, declarou a fonte.
Os preços globais do petróleo caíram pelo terceiro dia consecutivo após o anúncio da Guarda Revolucionária. Os contratos futuros do petróleo Brent, uma importante referência global, recuaram 3%, sendo negociados a quase US$ 86 o barril no início desta quarta-feira, enquanto o West Texas Intermediate, referência norte-americana, caiu 2,8%, para US$ 80 o barril.
O Estreito de Ormuz — passagem por onde transitava, antes da guerra, 20% do petróleo e gás consumidos no planeta — está efetivamente bloqueado desde os bombardeios conjuntos de Estados Unidos e Israel que deram início ao conflito no Oriente Médio, em 28 de fevereiro, elevando os preços de combustíveis globalmente. Navios não autorizados por Teerã têm sofrido ataques intermitentes nessas águas.
O acordo se dá após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicar, na semana passada, uma imagem de um mapa que mostra Ormuz como “novo território dos EUA”. A publicação segue falas do republicano de que iria declarar “em breve” a passagem marítima, vital para o comércio de petróleo, como parte dos Estados Unidos – embora não tenha dado detalhes ou prazos.
O presidente americano também usou as redes sociais para reforçar que “não há negociações ou conversas em andamento, nem programadas” com o Irã. Segundo ele, “o Estreito de Ormuz está aberto e em operação”. Em resposta, o vice-chanceler do Irã, Kazem Gharibabadi, classificou Trump como “iludido” e disse que, “em breve, sua ilusão a respeito do Estreito de Ormuz será corrigida”.
