Medicamento capaz de ‘curar’ hepatite recebe primeira aprovação no mundo

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O Japão foi o primeiro país a aprovar um novo medicamento que se mostrou pioneiro no controle da hepatite B. O bepirovirsen, de nome comercial Hibsago, demonstrou ser capaz de promover a cura funcional da doença que pode desencadear graves complicações, como o câncer no fígado.
O aval foi dado Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar do Japão por meio de um processo de aprovação acelerada, considerando que o remédio entra na categoria de terapias inovadoras que atuam em demandas médicas ainda não atendidas, caso da hepatite B crônica.
O medicamento foi o principal destaque do último congresso da Associação Europeia para o Estudo do Fígado, realizado em Barcelona, onde foi apresentado o estudo com 1 800 pacientes que comprovou a cura funcional em cerca de 20% dos participantes.
A cura funcional não significa a completa eliminação do vírus, mas é um avanço na luta contra a doença por permitir que a infecção seja controlada.
O diferencial desse antiviral é que ele conta com um mecanismo de ação que se conecta ao material genético do patógeno e impede que ele se replique. Assim, impede a produção da proteína essencial para a infecção se manter ativa, a HBsAg.
E é essa proteína que viabiliza o risco de câncer hepático e é um sinal de que o paciente está transmitindo o vírus. Sem ela, a doença é silenciada.
“Após seis meses de tratamento com Hibsago, os pacientes podem deixar de depender de uma terapia por toda a vida e reduzir o risco de complicações hepáticas de longo prazo. Este é um grande avanço para o manejo da hepatite B crônica”, disse, em comunicado, Tony Wood, diretor científico da GSK, biofarmacêutica que desenvolveu o fármaco. “Aguardamos novas decisões regulatórias em outros países.”
O bepirovirsen é indicado para casos de hepatite B crônica em adultos que receberam por, ao menos seis meses, o tratamento padrão. Também são verificados marcadores virais para saber se os pacientes atendem a critérios pré-definidos.
Diminuição do risco de câncer
Uma das principais doenças associadas a casos de hepatite B crônica é o câncer de fígado. Por isso, a necessidade de conter a infecção que afeta mais de 250 milhões de pessoas no mundo.
Segundo dados da GSK, anular a proteína viral HBsAg leva a uma redução de até 89% no risco de surgimento de tumores hepáticos e de 62% no risco de mortalidade por todas as causas.
A hepatite B é uma doença considerada silenciosa por evoluir sem sintomas significativos até levar a complicações como cirrose, insuficiência hepática e tumores no fígado.
Ela é transmitida principalmente por relações sexuais, contato com sangue contaminado e por meio de compartilhamento de seringas, agulhas ou itens de higiene pessoal.
A melhor forma de se proteger contra a hepatite é com a vacinação. “Para crianças, a recomendação é que se façam quatro doses da vacina, sendo: ao nascer, aos 2, 4 e 6 meses de idade (vacina pentavalente). Já para a população adulta, via de regra, o esquema completo se dá com aplicação de três doses”, diz informe do Ministério da Saúde.
