EUA avisam Brasil que pretendem classificar CV e PCC como terroristas, diz site

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O governo dos Estados Unidos informou ao presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, que pretende classificar os grupos criminosos Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. A sinalização foi feita por autoridades que se reuniram com Galípolo e deve avançar apesar da resistência da administração de Luiz Inácio Lula da Silva, que desaprova a medida, segundo informações divulgadas pela coluna Paulo Capelli, do portal Metrópoles, nesta sexta-feira, 17.
De acordo com o site, o Departamento de Estado dos EUA avalia que a classificação ajudará a asfixiar financeiramente as organizações, responsáveis por movimentar grandes somas de dinheiro ilícito. Nesse contexto, a comunicação antecipada é interpretada como uma “deferência” ao Brasil, já que países onde grupos criminosos receberam essa designação, como o México, não foram previamente avisados.
O governo dos Estados Unidos está avaliando a possibilidade de designar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações criminosas. As informações foram divulgadas pelo jornal americano The New York Times nesta sexta-feira, 27, e apontam que a questão vem sendo influenciada diretamente pela pressão dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro.
De acordo com o NYT, a administração do presidente Donald Trump ainda não chegou a uma decisão, mas mantém as organizações no radar por representarem “ameaças significativas à segurança regional devido ao envolvimento com tráfico de drogas, violência e crime transnacional”. Há um forte lobby de Flávio Bolsonaro, pré-candidato à presidência do Brasil, e seu irmão Eduardo pelo tema, que deverá ser de suma importância no pleito deste ano.
Desde que o presidente Donald Trump iniciou seu segundo mandato na Casa Branca, em janeiro de 2025, Washington tem mudado a forma como lida com organizações criminosas na América Latina. Adotando uma retórica belicosa, os Estados Unidos passaram a defender a classificação de grupos ligados ao tráfico de drogas como “narcoterroristas”.
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Com isso, facções como o Cartel de Sinaloa, no México, ou o Tren de Aragua, na Venezuela, passaram a ser classificadas como organizações terroristas estrangeiras (FTOs, na sigla em inglês), a mesma tipificação que recebem grupos extremistas como a Al-Qaeda e o Estado Islâmico. A mudança de status permite que o Departamento do Tesouro atue de forma mais rigorosa contra as entidades, permitindo o congelamento de ativos em solo americano e criando uma barreira contra o uso do sistema bancário global.
Ao mesmo tempo, a medida gera uma vulnerabilidade jurídica que tem preocupado Brasília. Desde que os primeiros rumores sobre uma possível mudança na classificação por Washington começaram a chegar, o Palácio do Planalto adotou uma posição de contrariedade, acreditando que o novo status pode abrir caminho para ações militares unilaterais dos Estados Unidos no país.
Tais temores não são completamente infundados. Sob a administração de Donald Trump, os EUA têm promovido bombardeios contra embarcações ao longo da costa da América do Sul, sob a justificativa de combate ao narcoterrorismo. Washington também recorreu à classificação para justificar a deposição do presidente Nicolás Maduro na Venezuela.
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Em março, o jornal americano The New York Times já havia levantado a possibilidade da mudança de designação, que teria influência direta de contatos da família Bolsonaro com interlocutores da Casa Branca. Há um forte lobby de Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência do Brasil, e de seu irmão, Eduardo, que vive nos EUA.
Inúmeras pesquisas de opinião têm demonstrado que a segurança pública é um dos temas mais importantes para os eleitores brasileiros, e há o entendimento de que a classificação das duas maiores organizações criminosas do país como terroristas daria um forte impulso à campanha presidencial de Flávio.
