Estados Unidos lançam novos ataques aéreos contra o Irã em retaliação a morte de soldados

Os Estados Unidos lançaram neste domingo, 19, uma série de ataques contra o Irã, após confirmarem as primeiras mortes de militares americanos desde a retomada das hostilidades com Teerã.
O Exército dos Estados Unidos anunciou no sábado a morte de dois militares, os primeiros desde o rompimento do cessar-fogo, em 7 de julho, e o desaparecimento de um terceiro em “ataques com mísseis e drones” atribuídos ao Irã na sexta-feira, na Jordânia.
Na oitava noite consecutiva de bombardeios, os Estados Unidos atacaram instalações militares iranianas, além de “forças do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica que lançaram ataques contra membros das forças americanas na Jordânia em 17 de julho”, afirmou o Comando Central dos Estados Unidos para o Oriente Médio (Centcom) em nota.
As agências de notícias iranianas Mehr e Tasnim informaram, ao mesmo tempo, sobre ataques americanos em Sirik, um porto localizado no Estreito de Ormuz, no sul do país.
A agência oficial Irna noticiou um “ataque militar inimigo americano nas proximidades de Hajiabad”, na mesma província de Hormozgan. Os ataques também tiveram como alvo uma usina nuclear em construção em Darkhovin, no sudoeste do país, afirmou mais tarde a Organização de Energia Atômica do Irã. Qualquer ataque americano enfrentará “uma resposta decisiva e devastadora”, declarou o general iraniano Ali Abdollahi.
Quanto aos aliados dos Estados Unidos no Golfo, Kuwait e Bahrein afirmaram ter sido alvo de ataques iranianos neste domingo. As autoridades kuwaitianas anunciaram que uma usina elétrica e uma planta de dessalinização haviam sido atacadas, o que provocou um incêndio em algumas instalações, segundo as autoridades. Sirenes de alerta soaram no Bahrein, sede da Quinta Frota americana, onde o comando militar afirmou que suas defesas aéreas “confrontaram, interceptaram e destruíram vários ataques aéreos traiçoeiros do Irã”.
Míssil interceptado por Israel e Jordânia
Sirenes também soaram em Amã, capital da Jordânia, segundo um correspondente da Agência France Press. O Exército israelense afirmou que um míssil lançado contra Áqaba, cidade jordaniana próxima à Eilat, no Mar Vermelho, foi interceptado pelas forças israelenses e jordanianas. Estas forças declararam ter “interceptado e derrubado três mísseis iranianos” lançados contra o reino, enquanto um quarto “caiu em uma área desértica”.
A guerra, deflagrada em 28 de fevereiro pela ofensiva israelense-americana contra o Irã, havia sido suspensa com o cessar-fogo de abril. Mas desde a retomada das hostilidades, em 7 de julho, as partes trocam ataques e ameaças. O líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, ameaçou no sábado dar uma “lição inesquecível” aos Estados Unidos após a retomada de seus ataques contra o Irã.
Segundo um balanço do Ministério da Saúde iraniano, os bombardeios americanos deixaram ao menos 50 mortos e mais de 500 feridos desde 27 de junho. Do lado americano, 16 militares morreram desde o início da guerra.
Barcos detidos em Ormuz
Paralelamente aos bombardeios, há incidentes marítimos no Estreito de Ormuz, fechado pelo Irã. A Guarda Revolucionária anunciou neste domingo que bloqueou quatro navios que tentavam atravessar sem sua autorização. “Duas dessas embarcações sofreram um acidente e ficaram imobilizadas, enquanto as outras duas desistiram de continuar sua rota”, declarou o exército ideológico do Irã em um comunicado.
A reabertura dessa via estratégica pelo Irã foi uma das principais conquistas do acordo destinado a conduzir à paz, mas o tráfego voltou a ficar praticamente paralisado. Quase um quinto do comércio mundial de hidrocarbonetos passava por esse estreito antes da guerra. Em resposta, Washington restabeleceu o bloqueio aos portos iranianos, suspenso em cumprimento do acordo. A Guarda Revolucionária advertiu que os ataques “continuarão até que a calma retorne à costa sul e ao Estreito de Ormuz”.
Com informações da AFP
