Colômbia: tema da segurança impulsiona resultado que favoreceu azarão

Colômbia: tema da segurança impulsiona resultado que favoreceu azarão

Os colombianos estavam certos ao criticar os institutos de pesquisa durante a campanha para o primeiro turno da eleição presidencial: nenhum deles previu que Abelardo de la Espriella, o advogado milionário que foi tratado como um candidato exótico, seria o mais votado nessa rodada. Com 48,44% dos votos, chegou muito perto de ser eleito dessa vez, mostrando que os colombianos querem mudança na política tradicional e estão preocupados com o assunto número um na América Latina, a segurança.

Fica o recado para quem passará proximamente pelo teste das urnas. O aumento do poder das organizações criminosas deixa a população revoltada e disposta a arriscar votando em candidatos alternativos. Mesmo em países tristemente habituados ao narcotráfico como a Colômbia, o anseio dos cidadãos comuns por uma vida livre do flagelo do crime mostrou que é um motivador poderoso.

Outros latino-americanos souberam explorar a mensagem do combate ao crime, incluindo Daniel Noboa no Equador, Rodrigo Paz na Bolívia e o próprio Javier Milei, um dos inspiradores do candidato colombiano, inclusive na mensagem de diminuição da mão do Estado. Como no Brasil, a Colômbia vive a contradição de ter vastos territórios sem a presença do Estado e, simultaneamente, um peso excessivo de mecanismos burocráticos.

Terá De la Espriella condições de levar adiante sua mensagem e ser eleito presidente? O bom resultado na eleição de hoje mostra que os humores da opinião pública estão jogando a favor dele. O candidato ocupou praticamente todo o espaço da direita e Paloma Valencia, a representante do ex-presidente Álvaro Uribe, teve míseros 6%. Só para lembrar como as coisas mudaram: no auge de seu poder, impulsionado pelo combate à guerrilha das Farc, Uribe foi reeleito com 62% dos votos.

Os tempos mudaram e os eleitores também. De la Espriella soube capturar as novas tendências,  apresentou um personagem novo no universo da política colombiana, inventou um slogan quase ingênuo – “Firme pela pátria! – e arriscou propostas quase surreais, como a construção de dez superprisões na selva amazônica. É absurdo, populista, demagógico? Sem dúvida nenhuma. Mas, até agora, funcionou bem para ele.

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