Tarifaço: Trump poupou terras raras e já amarrou produção brasileira

O governo Trump deixou os principais códigos de terras raras fora da lista proposta para o tarifaço. A exceção não é casual: Washington já vinculou aos Estados Unidos a única produção brasileira em escala.
A Serra Verde, que opera em Goiás, recebeu US$ 565 milhões do governo americano. Depois, a USA Rare Earth, apoiada por Washington, acertou sua compra por US$ 2,8 bilhões. Um contrato de quinze anos assegura a um veículo capitalizado pelos EUA 100% da produção, com preço garantido.
Isso reduz o poder de pressão do Brasil sobre o fornecimento atual. A disputa passou a ser pelos próximos projetos e pelo processamento dos minerais. Os americanos querem acesso a novas reservas e uma cadeia afastada da China. O governo Lula aceita investimentos, mas rejeita exclusividade e exige agregação de valor no Brasil.
Esse pode ser um ponto da negociação tarifária: financiamento e tecnologia americanos em troca de acesso aos projetos futuros. Até agora, porém, não há confirmação de que o alívio dos 25% tenha sido formalmente condicionado a um acordo sobre minerais críticos.
