Candidato de ultradireita no Peru oferece R$ 29 mil por provas de fraude eleitoral

Candidato de ultradireita no Peru oferece R$ 29 mil por provas de fraude eleitoral

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As eleições no Peru paralisaram a nação desde o primeiro turno, no último domingo 12, que terminou com indefinição dos dois candidatos que avançarão à próxima etapa e intensificou um clima de extrema tensão, exacerbado por políticos que se recusam a aceitar os resultados da lenta apuração dos votos.

Nesta quinta-feira, 16, o ultraconservador Rafael López Aliaga (Renovação Popular), que estava em segundo lugar na contagem inicial mas caiu para terceiro, não só alegou que “havia fraude em curso”, como também divulgou um comunicado oferecendo uma recompensa de 20 mil soles (cerca de R$ 29 mil) a qualquer funcionário eleitoral que pudesse fornecer provas para sustentar suas acusações. Horas depois, apagou a mensagem das redes sociais (possivelmente temeroso de cometer crime de suborno).

Nas últimas horas, López Aliaga foi indiciado criminalmente por dois advogados por incitação à insurreição. Ele já havia convocado, na terça 13, um protesto em frente à Junta Nacional Eleitoral (JNE) em Lima, onde incitou seus seguidores a irem às ruas para que “sua liberdade não seja roubada”. Também lançou um ataque homofóbico contra o presidente da JNE, Roberto Burneo, a quem ameaçou estuprar com uma tartaruga caso não anulasse as eleições.

“Se o senhor não declarar essa imundície nula e sem efeito, Sr. Burneo, prepare-se para o seu próprio Plano Morrocoy. Vamos enfiar a tartaruga no senhor, o senhor sabe onde”, disse López Aliaga, referindo-se a uma suposta estratégia de boicote às eleições que foi utilizada na Venezuela.

O esquerdista Roberto Sánchez (Juntos pelo Peru), herdeiro polítoco do ex-presidente Pedro Castillo — preso desde 2022 por tentativa de golpe de Estado — subiu da sexta para a segunda posição, o que grande parte da capital observou com espanto, medo e raiva. Os votos das áreas mais remotas do Peru o colocaram a um passo do segundo turno, marcado para 7 de junho.

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No entanto, na madrugada desta quinta, López Aliaga começou a reverter a tendência. Com 92,9% das urnas apuradas pelo Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE), a diferença para Sánchez caiu para apenas 7 mil votos. O esquerdista tem 11,978%, enquanto o ultradireitista tem 11,919%. É uma disputa acirrada que deixou os peruanos em alerta.

Por ora, apenas Keiko Fujimori (Popular Force), filha do ex-ditador peruano Alberto Fujimori, foi confirmada no segundo turno.

Eleições conturbadas

As eleições foram marcadas por perturbações. Devido à negligência na montagem de mais de 200 seções eleitorais, ao menos 63 mil pessoas não puderam votar, obrigando a Junta Nacional Eleitoral a prorrogar o processo até segunda-feira. Apesar disso, a Missão de Observação Eleitoral da União Europeia negou ter encontrado qualquer evidência da suposta fraude. Essa é a mesma posição compartilhada pelo Ministério Público e pela Ouvidoria.

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Assim como o voto rural permitiu que Roberto Sánchez substituísse momentaneamente López Aliaga, o voto no exterior pode resolver a controvérsia. Com 68% das urnas apuradas, o candidato de extrema direita tem 55.323 votos de expatriados, enquanto o esquerdista tem 5.315. Nesse caso, a tendência favorece López Aliaga, que obteve maioria apenas em Lima, diferentemente de seu rival, cujo apoio se estende a quase todo o sul e grande parte do norte do Peru.

O ex-presidente José Jerí, que sofreu impeachment em fevereiro após quatro meses no cargo por reuniões fraudulentas, manifestou seu apoio ao direitista, cujo partido será uma das forças mais influentes no próximo Congresso. “Pensando no país, apesar de nossas divergências, espero que ele chegue ao segundo turno”, disse Jerí.

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