Para Centrão, Flávio dá tiro no pé ao recorrer a fake news para atacar urnas eletrônicas

Resistentes a uma composição com Flávio Bolsonaro, lideranças do Centrão classificam como “tiro no pé” a decisão do pré-candidato do PL à presidência da República de recorrer a uma fake news para atacar as urnas eletrônicas.
Para líderes ouvidos pelo Radar, as declarações do filho de Jair Bolsonaro acabam por diminuir ainda mais as chances de partidos de centro aceitarem compor a base aliada de sua postulação ao Palácio do Planalto.
Além disso, acreditam que as falas o afastam do eleitorado independente, que não são afeitos a declarações polêmicas em relação ao sistema de votação e preferem posições mais moderadas.
De acordo com fontes, o episódio se soma a outras crises – como a relação com Daniel Vorcaro, do Banco Master, a articulação pelo tarifaço e o barraco público com Michelle Bolsonaro -, que vem criando obstáculos para Flávio manter a competitividade em relação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, considerado seu principal adversário em outubro.
Ontem, Flávio afirmou, durante evento com diplomatas, que o Brasil utiliza urnas fabricadas pela empresa venezuelana Smartmatic e citou um relatório da CIA segundo o qual a companhia estaria envolvida em fraudes nas eleições da Venezuela em 2012.
Essa associação, que foi feita no passado por Bolsonaro, já foi desmentida pelo TSE, que não utiliza urnas da Smartmatic.
Ele aproveitou a fala para defender que os países enviem observadores internacionais para acompanhar as eleições no Brasil. “Não vou entrar em mais detalhes, mas só para deixar registrado que muitas dessas máquinas que são utilizadas nas eleições brasileiras são da mesma empresa”.
Para o Centrão, a soma de crises vem determinando esse isolamento de Flávio, que, a poucos dias da convenção partidária que confirmará seu nome ao Palácio do Planalto, ainda não conseguiu fazer composições com outras legendas e sequer tem um nome definido para concorrer à vice-presidência.
Colabora para o distanciamento de partidos de centro e a provável neutralidade deles na corrida presidencial a prioridade deles de fazer bancadas expressivas no Congresso Nacional.
Não se alinhar a nenhuma candidatura nacional ajuda a concretizar esses planos, já que os seus filiados podem se associar a quem quiserem.
