Camisa da seleção entra na guerra política da Colômbia

Às vésperas da Copa do Mundo, a camisa amarela da seleção da Colômbia virou protagonista da disputa presidencial no país. O candidato de esquerda Iván Cepeda acusou nesta segunda-feira, 1º, o rival ultradireitista Abelardo de la Espriella de transformar o uniforme da equipe nacional em uma marca de campanha, em um movimento comparado ao uso da camisa da seleção brasileira durante a ascensão do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A polêmica surgiu após De la Espriella aparecer ao lado da família vestindo a camisa amarela da seleção em um ato de campanha. O episódio levou a Federação Colombiana de Futebol a pedir que o símbolo esportivo seja mantido fora das disputas eleitorais.
A controvérsia ganhou força após o primeiro turno das eleições presidenciais, realizado no domingo. De la Espriella, advogado e empresário de 47 anos que se apresenta como outsider da política, terminou a votação na liderança, com 43,7% dos votos. Cepeda, senador aliado do presidente Gustavo Petro, ficou logo atrás, com 40,9%. Os dois disputarão o segundo turno em 21 de junho.
Durante a celebração do resultado, De la Espriella, a esposa e os quatro filhos apareceram usando a camisa da seleção colombiana em meio ao clima de expectativa pela Copa do Mundo de 2026, que começa neste mês.
A imagem provocou reação imediata do adversário. “O senhor De la Espriella tem como fantasia roubar as coisas. Agora rouba a camisa da Seleção da Colômbia”, afirmou Cepeda durante entrevista coletiva nesta segunda-feira. “Desde quando a Seleção da Colômbia é patrimônio da campanha do senhor De la Espriella?”, perguntou.
O caso brasileiro
A discussão rapidamente despertou comparações com o Brasil. Nos últimos anos, a camisa da seleção brasileira deixou de ser apenas um símbolo esportivo para se tornar também um elemento de identificação política. Inicialmente adotada nas manifestações pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, a peça passou a ser amplamente utilizada por apoiadores de Bolsonaro e se transformou em uma das principais marcas visuais do movimento conservador no país.
Com o avanço da polarização política, a camisa verde-amarela passou a ser associada, por parte dos brasileiros, ao campo conservador e ao bolsonarismo. O fenômeno levou muitos a abandonar o uso do uniforme fora de eventos esportivos para evitar uma identificação política indesejada.
Ascensão da nova direita
O episódio acontece em meio ao crescimento de uma nova direita latino-americana, impulsionada por discursos de endurecimento no combate ao crime e defesa de valores conservadores.
De la Espriella construiu sua campanha prometendo adotar uma linha dura contra a violência e o narcotráfico, temas que dominam o debate público colombiano. O discurso o aproximou de lideranças como o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, e o tornou um dos nomes mais competitivos da direita regional.
