‘Angustiante não conseguir atender 100% da demanda’, diz coordenadora do Banco de Leite do Hemu

‘Angustiante não conseguir atender 100% da demanda’, diz coordenadora do Banco de Leite do Hemu

Para Renata Machado Leles, coordenadora do Centro de Referência Estadual em Banco de Leite Humano do Hospital Estadual da Mulher (Hemu), em Goiânia, “é angustiante saber da necessidade dos bebês e não conseguir atender 100% da demanda”. O estoque da unidade está em 50% do necessário para um mês. Conforme a Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO), atualmente a unidade tem cerca de 150 litros, mas o volume ideal para atender com segurança a demanda mensal seria de 300 litros.

Segundo a coordenadora, existem períodos mais fracos de doação, como as férias e momentos festivos. Contudo, o Hemu já veio de 2025 com o estoque mais baixo e, neste ano, o volume de feriados prolongados prejudicou as ações. “Então, fazemos esse apelo para dobrar o número de mães doadoras e o volume de doação.”

Atualmente, são aproximadamente 50 doadoras ativas. Como mencionado, o número é considerado abaixo do necessário para manter o abastecimento adequado. Mensalmente, são atendidos aproximadamente 200 bebês. Como a quantidade disponível não é suficiente, a situação obriga o Hemu a priorizar os mais vulneráveis, especialmente prematuros internados em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal.

Renata reforça que toda doação é bem-vinda. “Não existe um volume que a doadora pode doar, porque varia conforme a produção de cada mãe. “O bebê prematuro, ele começa na dieta zero, aí ele começa com a dieta trófica, que é aquela que começa com um ml e vai aumentando conforme a necessidade do neném. Conforme o neném vai crescendo, evoluindo, vai aumentando. Então, qualquer volume. Se essa mãe doa 50 ml, são as 50 primeiras dietas. Então, qualquer volume que ela consiga doar para nós já é de grande ajuda”, destaca.

Ela, então, faz um apelo para as mães que tenham excesso de leite, além do que o próprio filho necessite. “Peço que entrem em contato conosco. O telefone é o 62 3956-2921. É fixo ou WhatsApp, pode também mandar mensagem. Só na primeira vez a mãe vem até a gente, depois nós vamos até ela”, detalhou.

“Então, ela entra em contato e vamos orientar como ela retira esse leite dela, armazena, congela e identifica. Ela vai mandar para nós os exames de doença infectocontagiosa durante a gestação e preencher uma ficha com os critérios de doação. Estando tudo ok, as bombeiras vão até a casa dela, uma vez por semana, para recolher esse leite congelado e deixando um frasco vazio para a próxima semana”, explicou o funcionamento.

Para doar, a mulher deve estar amamentando, ter excesso de leite, não ser fumante, não ingerir bebidas alcoólicas e nem medicamentos incompatível com a amamentação. E, além disso, apresentar exames de doenças infectocontagiosas com resultados não reagentes. “A doação serve para ajudar bebês prematuros, de baixo peso, internados em unidade neonatal de risco. O leite é processado, pasteurizado e distribuído para esses bebês de UTI.”

Doadora

Para a doadora Bruna Gomes Borges Chaves, de 23 anos, trata-se de um gesto importante, pois “nem todas as mamães conseguem”. “É importante doar porque, infelizmente, nem todas as mamães têm leite logo no nascimento do bebê e, principalmente, para casos em que o bebê vai para a UTI, eles necessitam do leite e, com toda a situação psicológica, nem todas as mamães conseguem. É sempre bom ajudar o próximo, porque nunca sabemos se um dia iremos precisar”, afirma a vendedora que hoje encerrou suas doações. “Doei uma média de 4 litros por mês (doava cerca de 2 a 3 frascos de 500 ml por semana)”, revelou.

(Foto cedida ao Mais Goiás)

Para ela, ver o volume de doações baixo é uma situação “muito triste e delicada”. A vendedora observa que, apesar de toda a divulgação que fazem, ainda é um projeto muito desconhecido. Bruna lembra que doou até a filha de 8 meses desmamar, em fevereiro. Ela começou quando a neném ainda tinha 20 dias. Ela revela que resolveu doar devido a uma experiência pessoal.

“Minha irmã e eu sofremos um acidente de carro em 2019 e ela ficou na UTI, precisando de bolsas de sangue. Não consegui doar sangue, pois sempre passei mal. Quando soube da doação de leite, soube que era a minha oportunidade de fazer o bem que uma vez fizeram para ela. Aquelas doações salvaram a vida dela e eu pude retribuir.” Quanto ao atendimento do Hemu, “foi incrível, fui muito bem atendida e me deram todo o suporte necessário, do início ao fim”.

Ela revela que uma amiga comentou a possibilidade. Conforme a vendedora, para doar basta fazer o cadastro e ter o primeiro frasco, de vidro com tampa de plástico, esterilizá-lo (ferver submerso por 15 minutos) e coletar (com máscara e touca). “Então, é só avisar o Corpo de Bombeiros que tem leite para adicionarem na rota e as bombeiras já trazem os próximos frascos.”

A doadora ainda faz questão de ressaltar que jamais faltou leite para a filha. “Ela sempre mamou bem, tanto no peito quanto leite ofertado (descongelado). Pelo contrário, me arrependo de primeiro ter feito um estoque para ela e só depois começado as doações.” Questionada sobre o sentimento de ter ajudado, ela diz que se sente incrível. “Minha mãe foi mãe de leite de um amigo da rua e sempre contou essa história e eu achava incrível. E na minha vez, pude fazer a mesma coisa.”

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Fonte Original Mais Goias

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