A dificuldade de ‘Beto Louco’ para denunciar supostos comparsas com foro privilegiado

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Reportagem de VEJA desta semana mostra uma temporada de delações premiadas de investigados em escândalos de corrupção que elevam a temperatura política e deixam Brasília em estado de alerta. A principal delas é de Daniel Vorcaro, do Banco Master, que gerou um rombo de 50 bilhões no mercado.
A lista de delatores inclui o empresário Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como ‘Beto Louco’, acusado de comandar, juntamente com Mohamad Hussein Moraes, o ‘Primo’, um esquema bilionário de sonegação de impostos no setor de combustíveis e de lavagem de dinheiro de facções, como o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Alvos da Operação Carbono Oculto, Beto Louco e Primo estão foragidos desde o ano passado. Beto já tentou fazer delação junto à Procuradoria-Geral da República, mas o acordo não foi aceito. O empresário queria denunciar políticos de três partidos que teriam facilitado as operações de legalização de combustíveis adulterados.
Algumas propostas de delação são recusadas pelos órgãos encarregados de colher os depoimentos por não serem acompanhadas de provas substanciais. Beto Louco, então, decidiu procurar o Ministério Público em São Paulo para tentar um novo acordo de delação premiada.
Delação excluiria autoridades com foro
A diferença é que agora Beto Louco retirou de suas revelações figuras com foro privilegiado. O empresário deverá no máximo delatar servidores públicos, policiais e magistrados supostamente envolvidos no esquema bilionário de sonegação fiscal.
Um ex-colaborador que tem mantido contatos com Beto Louco afirmou que o empresário, além de delatar as fraudes tributárias no setor de combustíveis, quer provar que não é um homem violento e que não tem ligação com facções criminosas. A investigação da polícia aponta vínculos dos negócios do empresário com lavagem de dinheiro de drogas do PCC.
Beto é gestor do grupo Copape, que opera com distribuição de combustíveis. Segundo a mesma fonte, o empresário fugiu há sete meses do Brasil, inicialmente para Portugal, e estaria morando na Líbia. Ele vem sofrendo pressão da família para se entregar às autoridades no Brasil.
