Casas Bahia entra com pedido de recuperação judicial
O grupo Casas Bahia fez um pedido de recuperação judicial no domingo (16). A demanda ocorre em meio a uma crise financeira e fechamento de lojas.
No segundo trimestre deste ano, a empresa registrou um prejuízo de R$ 10 bilhões. O valor é 18 vezes maior que a perda do mesmo período do ano passado.
A companhia chegou a adiar a divulgação dos resultados financeiros por duas vezes. Contudo, ao fazê-lo, também informou o fechamento de 298 lojas. Por meio de documento enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), as Casas Bahia informaram um “ambiente macroeconômico desafiador, marcado por patamares elevados de taxas de juros, restrição de crédito e aumento do custo financeiro”.
Segundo a empresa, houve uma “pressão sobre o consumo e o capital de giro aliados à não concretização de alternativas de liquidez que vinham sendo estruturadas”. Quanto ao pedido de recuperação judicial, ele foi aprovado pelo conselho de administração e acionista controlador da empresa antes de ser protocolado no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP).
Houve, ainda, um pedido para convocar uma Assembleia Geral Extraordinária “em caráter de urgência” para ratificar a decisão. A demanda pela recuperação judicial inclui as seguintes empresas do grupo:
- ASAP Log – Logística e Soluções Ltda
- ASAP Log Ltda
- CNT Soluções em Negócios Digitais e Logística Ltda
- Cntlog Express Logística e Transporte Ltda
- Globex Administração e Serviços Ltda
- Cnova Comércio Eletrônico S.A
- Integra Soluções para Varejo Digital Ltda
- Casas Bahia Tecnologia Ltda
- Indústria de Móveis Bartira Ltda
Histórico da crise
A crise da empresa deu os primeiros sinais no terceiro trimestre de 2022. À época, a empresa registrou os primeiros prejuízos e já começava a encerrar lojas. Os resultados ruins tinham relação com a pandemia da Covid-19.
Desde 2021, a empresa já falava em crescimento sustentável devido ao cenário de alta de juros no final daquele ano. Em 2023, a companhia anunciou seu Plano de Transformação com previsão de crescimento em 2025. Após oito meses, houve o primeiro anúncio de pedido de recuperação extrajudicial para renegociação de dívidas, que seriam de R$ 4,1 bilhões.
Esse processo, vale citar, é diferente da recuperação judicial. Neste caso, a renegociação ocorre com os principais credores antes de homologação pelo judiciário.
Inclusive, em abril de 2024, houve a suspensão das execuções movidas por credores por 180 dias. No ano de 2025, o grupo reduziu parte de sua dívida, mas no primeiro semestre deste ano, a situação voltou a piorar.
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