Novo tipo de laser pode barrar cegueira ligada ao avançar da idade antes de ela se instalar

A medicina está em busca de novos tratamentos para a degeneração macular relacionada à idade, uma doença que afeta cerca de 10% das pessoas com mais de 65 anos e um terço dos indivíduos acima dos 80 e é marcada pela destruição progressiva da retina, o tecido no fundo dos olhos que permite a conversão da luz em imagens que são lidas e montadas pelo cérebro.
Trata-se de uma das principais causas de cegueira no mundo e uma de suas formas mais prevalentes, a degeneração macular do tipo seco, ainda carece de terapias efetivas sobretudo para o controle de seus primeiros estágios.
É diante desse cenário que pesquisadores finlandeses apresentaram um novo tipo de laser, capaz de aquecer de modo controlado a retina, para tratar o problema antes de a perda de visão se instalar. Os resultados dos testes com animais, que antecedem o estudo em humanos, foram publicados na revista acadêmica Nature Communications e provocaram animação e discussões na comunidade especializada.
A ideia dos pesquisadores da Universidade Aalto, no país escandinavo, é lançar mão de um laser que teria a propriedade de proteger e reparar as células da retina antes que a degeneração macular tome conta do pedaço.
Hoje existe um tipo de laser, chamado Valeda, que é utilizado em alguns casos dessa doença. Mas sua proposta é diferente da versão criada pelos finlandeses.
“Enquanto o Valeda foca na fotomodulação e na inflamação da retina, essa nova abordagem se baseia em um laser de infravermelho que, por meio de aplicações de 6o segundos, aquece a região a cerca de 44 ºC e produz um choque térmico capaz de ativar um processo de renovação celular”, explica o oftalmologista Gustavo Gameiro, pesquisador do Bascom Palmer Eye Institute, nos Estados Unidos.
A premissa, portanto, é defender as células vulneráveis desse tecido ocular antes que elas sejam inutilizadas ou destruídas pela doença. Em outras palavras, uma forma de prevenir a evolução para a cegueira.
O laser em ação
A aplicação de luz infravermelha no olho é milimetricamente controlada para não causar danos a uma área naturalmente sensível. Os pulsos na medida propiciariam, segundo os autores do estudo, um processo chamado autofagia, uma espécie de reciclagem celular que foi identificada pela primeira vez por um cientista japonês vencedor do Prêmio Nobel de Medicina.
O novo laser teria, assim, o poder de estimular propriedades de recuperação da retina antes da progressão da degeneração macular, o que foi demonstrado em experimentos com camundongos e porcos.
“Não foi possível avaliar melhora visual, porque os estudos foram em modelos animais até agora, mas já temos indícios de que o tratamento ativa mecanismos naturais de reparo desse tecido”, diz Gameiro.
Os dados obtidos nos testes pré-clínicos subsidiaram a aprovação de uma pesquisa em humanos, prevista para os próximos meses. A primeira fase buscará avaliar a segurança do procedimento. Se tudo der certo, a segunda etapa mirará nos efeitos do laser infravermelho em pacientes com a doença, hoje cada vez mais diagnosticada com o envelhecimento populacional.
