O lado que a torcida mexicana escolheu

Se serve de consolo para a torcida brasileira, ela não sofreu sozinha neste sábado (13). Na fan zone montada no centro histórico de Tijuana, cidade na fronteira com os Estados Unidos, moradores se reuniram para acompanhar a estreia de Brasil e Marrocos na Copa do Mundo e claramente escolheram um lado: o dos latino-americanos.
Os primeiros 20 minutos foram de um Marrocos melhor em campo, e uma minoria de marroquinos e descendentes eram os únicos a demonstrar emoção, fazendo bastante barulho. O gol de Saibari, claro, foi de festa para 15 ou 20 deles.
Foi quando Vinícius Júnior fez o gol da virada que Tijuana revelou de que lado estava. A multidão silenciosa explodiu em festa — abraços, gritos, a praça inteira comemorando como se o gol fosse deles. Os poucos torcedores brasileiros que apareceram com a camisa canarinho foram celebrados como se fossem os próprios jogadores.
No segundo tempo, a tensão era geral. Marroquinos e mexicanos, descendentes e curiosos, todo mundo na ponta do banco, cada um rezando para um lado diferente.
O final em 1 a 1 acabou decepcionando a todos — inclusive os torcedores locais que haviam comemorado a virada como se fosse uma vitória própria.
Tijuana não sedia nenhuma partida da Copa do Mundo. Sua participação na festa se resume a duas frentes: receber a delegação iraniana, que instalou sua base de treinamentos na cidade depois que o governo americano sinalizou que ela não seria bem-vinda por lá, e esta fan zone no centro histórico, onde a cidade provou que não precisa de um jogo em casa para entrar no espírito do torneio.
