Tela como acolhimento emocional? É o que traz a série animada com Mateus Solano, Marisa Orth e Miá Mello

Tela como acolhimento emocional? É o que traz a série animada com Mateus Solano, Marisa Orth e Miá Mello

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Hoje em dia, é raro ver uma criança conseguir parar e respirar fundo. Em tempos de excesso de estímulo, notificações incessantes e pequenas infâncias atravessadas pela ansiedade antes mesmo da alfabetização completa, talvez o maior luxo contemporâneo seja justamente esse: desacelerar. É nesse território delicado entre fantasia e autocuidado que nasce “Super Yogues”, série infantil lançada no YouTube que usa a linguagem das telas não para hipnotizar, mas para despertar.

Com vozes de Mateus Solano, Marisa Orth, Miá Mello e do ator mirim Antônio Caramelo, a produção independente já ultrapassou 300 mil visualizações em poucas semanas e vem chamando atenção por um detalhe incomum: em vez de manter as crianças passivas diante da tela, traz a proposta de fazê-las levantar do sofá, respirar, se movimentar e reconhecer emoções.

Criada pelos professores Juliana Terra e Antonio Tigre, fundadores da Escola Terra Tigre, referência em yoga medicinal no Brasil, a série parte de uma percepção íntima e cotidiana. Os dois acompanharam o desenvolvimento da filha Nina tendo a yoga como ferramenta de equilíbrio emocional — experiência que acabou se tornando o coração do projeto.

“Ser um Super Yogue é aprender a lidar com as próprias emoções desde cedo”, resumem os criadores. Em outro momento, reforçam: “A tela funciona como ponto de partida para o movimento, não como fim em si mesma”.

Na prática, a série transforma temas complexos da infância — medo, insegurança, ansiedade, frustração — em pequenas aventuras musicais ambientadas na “Floresta dos Encantos”. Os personagens atravessam desafios enquanto aprendem técnicas simples de respiração, atenção plena e consciência corporal. Há canções chiclete, humor, cores vibrantes e um universo lúdico capaz de conversar tanto com crianças quanto com adultos exaustos pela rotina hiperconectada.

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Nomes conhecidos para princípios essenciais

A escolha do elenco também não foi aleatória. Marisa Orth abriu a temporada em “Mantra Om”, Miá Mello apareceu no musical “Pula Macaca” e Mateus Solano empresta a voz ao personagem Ganga no episódio “Cabeça de Elefante”. O ator vê na iniciativa quase um gesto de resistência afetiva. “Em um mundo aparentemente hiperconectado que esconde uma falta total de conexão entre nós, é fundamental ensinar os princípios da yoga desde muito cedo”, afirma Solano.

Mais do que nomes conhecidos, os artistas ajudam a dar leveza a uma conversa que vem se tornando urgente dentro de casas e escolas. Nos últimos anos, psicólogos, educadores e pais passaram a discutir com mais frequência os impactos do excesso de telas e do aumento dos quadros de ansiedade infantil. “Super Yogues” parece entender esse dilema sem demonizar a tecnologia: usa justamente o universo digital para criar momentos de pausa.

Existe ainda um componente sensorial curioso. Cada episódio foi desenvolvido com frequências sonoras específicas — como 432 Hz e 528 Hz — associadas à sensação de calma e bem-estar. Segundo os criadores, a ideia é que até o ambiente familiar seja afetado positivamente durante a experiência.

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“O que compartilhamos no Super Yogues é o que vivemos em família”, dizem Juliana Terra e Antonio Tigre. “A yoga funciona como ferramenta de autorregulação emocional.”

A série é um desdobramento do livro “As Aventuras do Menino Iogue” e do espetáculo musical homônimo, que já percorreu o Brasil. Agora, o projeto avança para novos formatos: a partir de junho, um espaço inflável itinerante chamado Yogloo deve circular por escolas públicas e instituições culturais, criando experiências presenciais que unem cinema, música e práticas de yoga para crianças.

O sucesso de “Super Yogues” fala sobre uma necessidade coletiva. Em uma era em que até a infância parece acelerada demais, ensinar uma criança a respirar pode ser também uma maneira de ensiná-la a existir com mais calma no mundo.

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