Estudo revela déficit de 958 milhões de dólares em áreas protegidas

Estudo revela déficit de 958 milhões de dólares em áreas protegidas

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O Brasil está longe de ser um exemplo no que se refere à conservação dos seus biomas. Um estudo inédito publicado na revista Environmental Conservation revelou que as 300 Unidades de Conservação (UCs) federais brasileiras acumulam um déficit estimado em 958 milhões de dólares de investimentos, que deveriam ter sido destinados à manutenção dessas áreas. O resultado foi obtido a partir da análise do subfinanciamento registrado entre 2014 e 2023. A falta de recursos, segundo os pesquisadores, compromete ações de fiscalização, monitoramento e preservação ambiental.  A constatação vem acompanhada de um alerta: “As áreas protegidas são um elemento fundamental não apenas dos esforços do Brasil para sobreviver às mudanças climáticas de longo prazo, mas também para o crescimento econômico futuro”, diz Helnilza Cunha, professora da Universidade do Amapá e uma das autoras do estudo.

A situação mais crítica apontada na pesquisa é a da Amazônia, onde as áreas protegidas receberam apenas cerca de 20% do orçamento considerado necessário para suas ações — justamente no bioma que concentra a maior perda florestal em números absolutos no país. A Mata Atlântica, por outro lado, está em uma posição mais confortável, ao menos no que diz respeito aos recursos: recebeu aproximadamente 70% do financiamento ideal. O bioma apresenta menor desmatamento em área total, embora permaneça altamente vulnerável devido à fragmentação da vegetação remanescente. Talvez até por isso não tenha desaparecido. Da Mata Atlântica original, restam apenas 12,4% de florestas maduras e bem preservadas. Quando considerada a soma de toda a vegetação natural — incluindo florestas em estágios secundários de regeneração —, o índice sobe para cerca de 31%.

“O estudo é fundamental para entender as lacunas de investimento que existem em áreas tão biodiversas e importantes como a Amazônia”, diz Bruno Coutinho, diretor do laboratório de inovação em ciências para a conservação da CI-Brasil (Conservação Internacional). Os pesquisadores cruzaram informações sobre custos de gestão — incluindo salários, benefícios e despesas operacionais — com os recursos efetivamente destinados às áreas protegidas, para estimar o déficit de financiamento.

O cenário brasileiro ganha ainda mais relevância quando comparado a países desenvolvidos: enquanto muitos países latino-americanos investem menos de 5 dólares por hectare protegido, o sistema de parques nacionais dos Estados Unidos trabalha com valores entre 100 e 130 dólares por hectare ao ano, o equivalente a até 25 vezes mais investimento por área protegida.

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