O problema para Trump que pode ser trunfo do Brasil na negociação do tarifaço

A poucos dias do prazo para as negociações entre Brasil e Estados Unidos sobre o tarifaço, representantes do setor produtivo participaram de uma audiência pública em Washington para apresentar argumentos técnicos contra a ampliação das tarifas. Ao VEJA em Foco, apresentado por Marcela Rahal, o diretor-geral do Cecafé, Marcos Matos, afirmou que o cenário econômico americano pode favorecer o Brasil. (este texto é um resumo do vídeo acima)
Por que a audiência aumentou o otimismo do setor?
Segundo Matos, a audiência teve um perfil diferente da realizada no ano passado. De acordo com ele, as discussões deixaram de lado posições mais ideológicas e passaram a se concentrar nos efeitos econômicos das tarifas para a indústria e para o consumidor dos Estados Unidos.
“A discussão foi totalmente técnica e isso, ao nosso entender, com todo o otimismo, com moderação, é uma janela de oportunidade para o Brasil garantir a lista de exceção sugerida.”
O dirigente afirmou que o setor trabalha para ampliar a relação de produtos brasileiros isentos das tarifas, incluindo o café solúvel, que hoje responde por cerca de 10% das exportações brasileiras de café aos Estados Unidos.
Qual é o trunfo do Brasil nessa negociação?
Para Marcos Matos, a alta da inflação nos Estados Unidos fez com que empresas americanas passassem a pressionar por soluções que evitem novos aumentos de custos ao consumidor. “A inflação nos Estados Unidos foi a nossa amiga.”
Segundo o diretor do Cecafé, representantes de empresas americanas defenderam durante a audiência a manutenção das cadeias produtivas com o Brasil e ressaltaram a importância de produtos brasileiros para diferentes setores da economia dos Estados Unidos.
O que pode mudar nas próximas semanas?
Embora considere provável que parte das tarifas seja implementada, Marcos Matos acredita que as negociações podem resultar na ampliação da lista de exceções. “O que chama a atenção até agora, nesse momento, é o pragmatismo.”
Segundo ele, parceiros americanos relataram uma avaliação positiva das audiências públicas, o que reforça a expectativa de que a discussão continue sendo conduzida com foco nos impactos econômicos.
O que falta para reduzir as tensões comerciais?
Na avaliação do diretor do Cecafé, a solução mais duradoura passa pela construção de um acordo bilateral entre Brasil e Estados Unidos. “Só o acordo bilateral assinado vai reduzir as tensões.”
Matos citou o México como exemplo de país que já conta com esse tipo de acordo e, por isso, exporta café solúvel aos Estados Unidos sem tarifas. Para ele, enquanto as negociações avançam, o setor privado seguirá apresentando argumentos técnicos para ampliar a lista de produtos brasileiros beneficiados pelas exceções.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual VEJA em Foco (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.
