Negociadores de EUA e Ucrânia marcam reunião para planejar encontro com Rússia

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Negociadores ucranianos se reunirão com autoridades norte-americanas na quinta-feira, 26, em Genebra, onde discutirão os preparativos para uma próxima reunião trilateral com a Rússia, disse o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, nesta quarta-feira.
A reunião, que acontece na semana da marca de quatro anos da invasão da Rússia ao território ucraniano, também abordará detalhes de um possível plano de reconstrução da Ucrânia, explicou Zelensky.
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“Primeiro, será uma reunião bilateral com o lado norte-americano. A primeira questão é o pacote de prosperidade, que é o pacote para a recuperação da Ucrânia, e eles discutirão os detalhes”, afirmou o presidente, acrescentando que os negociadores também discutirão os detalhes da troca de prisioneiros de guerra entre a Ucrânia e a Rússia.
Ainda segundo o presidente, o secretário do Conselho Nacional de Segurança e Defesa da Ucrânia, Rustem Umerov, deve se encontrar com o enviado especial de Donald Trump, Steve Witkoff, e o genro do presidente americano, Jared Kushner.
Negociadores ucranianos e russos já se reuniram três vezes neste ano em encontros mediados pelos EUA, mas não conseguiram chegar a nenhum avanço em pontos-chave para um possível acordo.
As perspectivas de avanços concretos para a reunião de quinta-feira seguem limitadas, diante das exigências territoriais maximalistas apresentadas por Moscou. Como condição prévia para qualquer acordo, Moscou quer que Kiev retire suas tropas de toda a região de Donetsk, incluindo uma linha de cidades fortificadas consideradas uma das defesas mais fortes dos ucranianos. Eles ainda ocupam cerca de 17% da área.
A Ucrânia, por sua vez, defende que o conflito deve ser congelado ao longo das linhas de frente atuais, rejeita qualquer retirada unilateral de suas forças e busca garantias de segurança ocidentais sólidas para dissuadir a Rússia de retomar a ofensiva após qualquer cessar-fogo. Kiev também quer o controle de Zaporizhzhia, a maior usina nuclear da Europa, que foi tomada pelos russos no início do conflito.
A Rússia ocupa cerca de 20% do território nacional da Ucrânia, incluindo a Crimeia e partes da região leste de Donbas. Analistas dizem que as foras russas ganharam cerca de 1,5% do território ucraniano desde o início de 2024.
A economia da Ucrânia também está atravessando seu momento mais difícil desde o primeiro ano da invasão russa devido aos ataques contra o sistema de energia no país. O índice mensal de recuperação da atividade empresarial do Instituto de Pesquisa Econômica em Kiev — que compara o número de empresas que relatam se seus negócios estão piores ou melhores do que no ano anterior — ficou negativo em fevereiro pela primeira vez desde 2023.
A situação no país se agravou após a Hungria manter nesta segunda-feira seu veto a um empréstimo de militar de 90 bilhões de euros da União Europeia destinado a apoiar Kiev.
A reconstrução da economia e da infraestrutura da Ucrânia, caso a guerra acabasse agora, custaria US$ 588 bilhões (R$ 3 trilhões) em dez anos, segundo uma estimativa divulgada pelo Banco Mundial, em um estudo feito em conjunto com as Nações Unidas, a Comissão Europeia e o governo ucraniano.
A conta representa um aumento de 12% sobre a estimativa do ano passado, agravada pelo salto de 21% nos estragos no sistema energético do país atacado.
“O valor da reconstrução é quase três vezes o PIB nominal do país para 2025”, disse a premiê ucraniana, Iulia Sviridenko, em nota, acrescentando que o Produto Interno Bruto do país só poderá voltar a crescer de forma sustentável se houver um cessar-fogo.
Segundo o estudo do Banco Mundial, o setor mais afetado pela guerra é o de habitação, com 14% de destruição ou danos registrados, somando US$ 61 bilhões (R$ 316 bilhões).
