Decisão da Suprema Corte dos EUA sinaliza mudança no apoio a Trump

A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de derrubar as tarifas impostas pelo presidente Donald Trump marca uma inflexão relevante na postura do tribunal em relação à agenda da Casa Branca.
Nos últimos meses, o presidente vinha acumulando vitórias na mais alta instância do Judiciário americano, sobretudo em decisões provisórias que permitiram a implementação de medidas polêmicas enquanto processos seguem em tramitação.
Entre elas, autorizações para restringir a presença de militares transgênero nas Forças Armadas, conceder ao Departamento de Eficiência Governamental (DOGE Service) acesso a dados sensíveis e promover cortes profundos no Departamento de Educação.
A decisão sobre as tarifas, porém, interrompe essa sequência favorável e sugere que os ministros podem estar dispostos a impor limites mais claros às iniciativas do Executivo.
Reveses e disputas em curso
Apesar da predominância de decisões favoráveis ao governo, houve derrotas relevantes.
Em dezembro, por exemplo, a Corte impediu Trump de enviar tropas da Guarda Nacional a Chicago, medida que o presidente justificava com base em sua autoridade ampliada sobre segurança interna.
O episódio foi visto como um freio significativo às pretensões do Executivo de expandir seus poderes em áreas sensíveis.
Outros temas centrais da agenda presidencial continuam sob análise dos magistrados.
Um dos mais importantes diz respeito à possibilidade de o presidente demitir, sem necessidade de justificativa, chefes de agências independentes.
A mudança alteraria profundamente a estrutura do governo federal, consolidada ao longo de décadas para preservar autonomia técnica e regulatória.
Disputa sobre o Federal Reserve
Em janeiro, a Suprema Corte analisou um caso envolvendo a independência do Federal Reserve (Fed), o banco central dos EUA. Trump tentou destituir a diretora Lisa Cook do conselho da instituição.
Uma eventual autorização para a demissão poderia abrir caminho para uma reconfiguração da cúpula do Fed, órgão responsável por definir a política de juros e influenciar diretamente a economia americana.
Até o momento, a Corte permitiu que Cook permaneça no cargo enquanto o caso é examinado.
Mudança de sinal?
A recente decisão contrária às tarifas é interpretada por analistas jurídicos como um sinal de que, embora o tribunal tenha maioria conservadora — com três ministros indicados por Trump —, não há apoio automático às propostas do presidente.
A Suprema Corte dos EUA tem papel central na definição dos limites entre os Poderes. Ao barrar uma política comercial estratégica, os ministros reforçam a ideia de que medidas de grande impacto econômico e institucional serão submetidas a escrutínio rigoroso.
A decisão pode ter repercussões não apenas na política comercial americana, mas também no alcance do poder presidencial em temas estruturais, do controle de agências reguladoras à condução da política econômica.
Num ano marcado por embates institucionais, o julgamento sugere que o relacionamento entre Trump e a Suprema Corte pode estar entrando em uma nova fase.
