Zendaya: mantra vitoriano é método de vestir ou real pista de casamento?
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Existem tradições que atravessam séculos como sussurros persistentes. “Algo velho, algo novo, algo emprestado, algo azul” — quem nunca ouviu esse mantra das noivas vitorianas, nascido na Inglaterra do século XIX? Pois bem, não é exatamente uma superstição, mas sim uma narrativa contada por gerações sobre ter sorte no casamento. Corta para os dias de hoje e inevitavelmente chegamos em Zendaya, uma atriz que como ninguém sabe contar histórias por meio das com roupas. E assim, nas últimas semanas, ela vem deixando um enigma no ar por meio da moda em suas pré-estreias do filme “O Drama”: seus looks são puro método de vestir para emoldurar a história que ela protagoniza ao lado de Robert Pattinson e que acompanha um casal à beira do altar, atravessado por dúvidas e segredos; ou será uma pista definitiva sobre seu suposto casamento com Tom Holland que já teria acontecido?
Por um ou outro, é fato que o capítulo final dessa história veio em azul na premiére de Nova York. E não é qualquer azul. Zendaya surgiu em um azul denso, quase líquido da Schiaparelli, construído em camadas de obsessão artesanal. O vestido, da alta-costura primavera-verão 2026 da maison, levou cerca de 8 mil horas para existir. São 65 mil penas falsas, moldadas em seda crua, aplicadas uma a uma até formar uma silhueta rígida, escultural, que parece mais arquitetura do que moda. O corpete sem alças sustenta a narrativa com precisão quase científica; abaixo, tule e crinol criam volume e movimento, enquanto o scarpin — com salto curvo e cabeça de pássaro esculpida à mão em trompe l’œil — adiciona uma camada de fantasia calculada. Alta-costura como espetáculo, mas definitivamente como linguagem.
Nada ali é gratuito. Desde o início da divulgação de “O Drama” — filme que já alcançou 28 milhões de dólares em escala global — a atriz e seu stylist, Law Roach, vêm operando em modo conceitual. No tapete vermelho, essa tensão virou código visual para o tal mantra casamenteiro.
O “algo velho” apareceu em Los Angeles, quando Zendaya resgatou um vestido de Vivienne Westwood que ela própria já havia usado anos atrás. O “algo novo” surgiu em Paris, com um modelo sob medida da Louis Vuitton com cauda dramática e laço monumental. Detalhe: ambos brancos, como uma noiva.
O “algo emprestado” veio em Roma: um Giorgio Armani Privé preto, tirado diretamente do closet de Cate Blanchett, e o azul já havia sido insinuado dias antes, em um look rendado da Zimmermann, mas que ganhou força total na criação da Schiaparelli. Na tradição, o azul simboliza fidelidade. Mas ali, parecia fazer mais perguntas do que dar respostas.
Zendaya é mestra em usar a moda como roteiro paralelo, como pista, como rumor. E em tempos em que cada aparição pública é milimetricamente calculada, ela constrói algo mais interessante: ambiguidade. De qualquer forma, continua a pergunta: Seria só uma estratégia brilhante de divulgação? Ou estamos, discretamente, assistindo a um prelúdio? O que dá para saber é que não são só vestidos, mas uma história a ser contada. Ou no caso da estrela, um segredo que só mesmo o tempo dirá.
Veja os looks:




