Vistoria secreta e articulação política: como Goiânia conquistou o primeiro MotoGP em 1987

Vistoria secreta e articulação política: como Goiânia conquistou o primeiro MotoGP em 1987

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Goiânia sediou o Mundial de Motovelocidade entre 1987 e 1989. Em 2026, o campeonato retorna a Goiás, como MotoGP

Vistoria secreta e articulação política: como Goiânia conquistou o primeiro MotoGP em 1987 (Foto: Arquivo cedido ao Mais Goiás)

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A realização do primeiro Grande Prêmio de Motovelocidade em Goiânia modificou a forma como a capital passou a ser vista mundialmente. A organização do evento teve início com uma articulação discreta que ocorreu nos bastidores. Em entrevista ao Mais Goiás, nesta segunda-feira (23), o ex-presidente da Federação Goiana de Motociclismo, Kurt Feichtenberger, contou detalhes das negociações que trouxeram o evento para a cidade em 1987.

Segundo Kurt, tudo começou no dia 7 de setembro de 1986, após a realização de uma corrida pré-mundial em Brasília. Naquela noite, o empresário Pedro Ferreira Faus, um dos principais incentivadores do motociclismo brasileiro, entrou em contato com Feichtenberger para informar que, na manhã seguinte, representantes ligados à Federação Internacional de Motociclismo fariam uma vistoria no autódromo de Goiânia. O pedido era para que a avaliação ocorresse de forma discreta.

No dia 8 de setembro, integrantes de diferentes departamentos da entidade internacional, além de representantes de equipes, pilotos e da imprensa especializada, avaliaram o circuito goiano, utilizando motos de rua para testar o traçado. A reação foi imediata. Segundo Kurt, os visitantes ficaram impressionados com a segurança da pista, a visibilidade quase total do circuito e as áreas de escape, características consideradas ideais para a motovelocidade.

Vistorias também foram realizadas em autódromos de São Paulo e Brasília. No entanto, conforme relatado pelo ex-presidente da federação, o circuito goiano foi o mais elogiado tecnicamente. Uma revista espanhola especializada chegou a destacar o traçado como a “maravilha de Goiânia”, reforçando a repercussão internacional positiva.

Apoio político

Apesar da avaliação técnica favorável, a realização da etapa dependia de articulação política e institucional. Kurt destaca que se reuniu com o então governador eleito Henrique Santillo, em janeiro de 1987, antes mesmo da posse oficial, que na época ocorria apenas em março.

Após analisar os relatórios técnicos e a repercussão internacional do projeto, Santillo autorizou o apoio do Estado para viabilizar o evento. A partir desse aval inicial, outras frentes passaram a se articular. O governo assumiu sua parte ao garantir as condições necessárias para o Autódromo, que, de acordo com Kurt, já apresentava excelente estrutura e precisou de poucas adequações.

Paralelamente, a Confederação Brasileira de Motociclismo formalizou os trâmites junto à Federação Internacional de Motociclismo. Houve ainda a contratação e negociação com a promotora internacional Dorna Sports, responsável pela organização comercial do campeonato.

Goiânia sediou, em setembro de 1987, sua primeira etapa do Mundial. A prova se repetiu nos dois anos seguintes e consolidou três edições consideradas bem-sucedidas. Segundo Kurt, Goiás deixou uma marca significativa na história da competição, tanto para pilotos quanto para organizadores e público.

Fonte Original Mais Goias

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