Vinícolas viram base de novos projetos de moradia e hotelaria de luxo no Brasil
Por muito tempo, o turismo do vinho no Brasil se resumiu a visitas ocasionais e degustações de fim de semana. Esse ritual começa a se transformar. Um novo movimento do mercado imobiliário de alto padrão passa a tratar o vinho não apenas como experiência, mas como estrutura permanente de moradia e hospitalidade. Surgem, assim, empreendimentos que integram vinícolas em operação, hotéis boutique e residenciais de luxo – uma tendência ainda rara no país, mas que ganha tração ao traduzir lifestyle em valor imobiliário.
Um dos exemplos dessa virada está em Água Doce, no meio-oeste de Santa Catarina. É ali que será desenvolvido o Villaggio Grando Residence & Resort, com previsão de lançamento em 2027, o projeto combina hotelaria, moradia e enoturismo dentro da vinícola Grando, em uma região de altitude elevada, cerca de 10 mil pés, condição decisiva para a qualidade das uvas e dos vinhos produzidos no local.
O empreendimento leva a assinatura da L&N Urbanismo, braço imobiliário do Grupo Luan, incorporadora paulista responsável também pela chegada ao Brasil do VIK, hotel chileno reconhecido internacionalmente por unir vinho, arquitetura, gastronomia e hospitalidade de altíssimo padrão. Em Santa Catarina, a proposta é semelhante, mas com identidade brasileira. O empreenndimento contará com cerca de 200 lotes residenciais, com áreas entre 800 e 3 mil metros quadrados, além de um hotel boutique, entre 15 e 20 quartos, que levará a própria marca da vinícola. O desenho do projeto atende tanto ao fluxo crescente de visitantes, hoje entre 400 e 600 por mês, quanto a um público que busca transformar a experiência do vinho em parte da rotina.
Mais do que viver ao redor de vinhedos, os moradores serão convidados a participar ativamente do universo do vinho: degustações exclusivas, eventos, restaurantes, wine bar e até a possibilidade de criar rótulos personalizados, feitos sob medida para cada paladar, e tudo isso a poucos passos de casa. Para Adrian Estrada, CEO da L&N Urbanismo e do Grupo Luan, o diferencial está na integração genuína entre usos. “Quando você incorpora vinho, gastronomia e lifestyle a um projeto imobiliário, o valor se eleva de forma significativa. Não é apenas um condomínio bonito, é um destino”, afirma.
O Villaggio Grando faz parte de uma estratégia mais ampla do grupo, que soma hoje 19 empreendimentos e um VGV de R$ 1,4 bilhão. Apenas na primeira fase de três projetos, em Santa Catarina e no interior de São Paulo,o investimento do grupo já alcança cerca de R$ 500 milhões, todos com capital próprio. Além do projeto catarinense e do VIK no Fazenda Vista Verde, em Araçoiaba da Serra (SP), a incorporadora prepara um lodge de alto padrão em Espírito Santo do Pinhal (SP), no coração das vinícolas paulistas, para atender a uma demanda da região.
O movimento aponta para a criação de ativos híbridos, que combinam moradia e hotelaria com experiências integradas à natureza. Esses projetos trocam a lógica da escala pela da escassez, a padronização pela autenticidade e o excesso pela experiência. Manter a operação vinícola sob o comando das famílias produtoras é parte essencial dessa equação. É ali que o território, a história e o saber acumulado se transformam em valor. “A VIK é operada pela própria família VIK; a Grando, pela família Grando. Isso é fundamental para manter a autenticidade e a excelência do produto”, explica Estrada. À medida que o mercado de alto padrão passa a buscar diferenciação real, e não apenas mais metros quadrados, empreendimentos como este sinalizam um novo momento da incorporação no país: menos ostentação, mais significado e exclusividade.



