Uso de IA exige “acompanhamento”, diz presidente da OAB-GO
Após diagnóstico
Pesquisa nacional realizada em Goiás e outros 6 estados aponta que 76% dos profissionais utilizam Inteligência Artificial com frequência
O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO), Rafael Lara Martins, defendeu a necessidade de acompanhamento contínuo diante do avanço do uso de Inteligência Artificial na advocacia. A declaração foi dada ao Mais Goiás após a divulgação, nesta sexta-feira (27), de levantamento conduzido pelo Jusbrasil em parceria com a Trybe e o ITS Rio, que aponta que 76% dos profissionais da área utilizam ferramentas de IA com frequência.
SAIBA MAIS:
O estudo foi realizado em conjunto com as seccionais da OAB de Goiás, São Paulo, Paraná, Bahia, Pernambuco e Espírito Santo. Goiás foi o estado que mais contribuiu proporcionalmente para o levantamento, com 444 entrevistas — o maior volume de respostas entre as seccionais participantes. A pesquisa apresenta nível de confiança de 95%.
Ferramenta de apoio
Para Lara, os dados confirmam que a tecnologia já está incorporada ao cotidiano da profissão. “A inteligência artificial contribui para a evolução da profissão ao liberar advogados e advogadas de tarefas repetitivas, permitindo maior dedicação à formulação de estratégias jurídicas, à inovação e ao fortalecimento da relação com os clientes. Ao mesmo tempo, essa transformação exige vigilância constante, para que a IA atue como ferramenta de apoio, sem substituir o julgamento humano, essencial na análise de contextos jurídicos complexos”, afirmou.
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Segundo o presidente, o levantamento também serve de base para a formulação de normas, treinamentos e boas práticas. “O dado reforça a necessidade de acompanhamento contínuo por parte da Ordem. Mais do que preocupação, trata-se de um indicativo de que é fundamental orientar e preparar a advocacia para o uso consciente e responsável dessas ferramentas. A ampla utilização da inteligência artificial exige capacitação, definição de limites éticos e atenção à proteção de dados e ao sigilo profissional”, pontuou.
Principais demandas
Entre as principais aplicações da IA na rotina jurídica, a redação de peças processuais lidera, sendo mencionada por 76% dos entrevistados. Em seguida aparecem pesquisa jurídica (59%), elaboração de pareceres e memorandos (58%) e análise e revisão de contratos (56%). Como a pergunta permitia múltiplas respostas, os percentuais ultrapassam 100%.
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A economia de tempo é apontada por 84% dos profissionais como principal benefício do uso das ferramentas. Desse total, 37% afirmam ter economizado mais de quatro dias de trabalho por mês. A melhora técnica na qualidade das atividades é mencionada por 91% dos respondentes, enquanto 75% relatam impacto positivo no bem-estar profissional.
