Unimed denuncia ex-funcionária por fraude em clínica que atende autistas
A Unimed Goiânia denunciou uma ex-funcionária por suposta fraude no faturamento e atendimento em uma clínica que atende crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Segundo auditoria da operadora, a unidade teria apresentado informações divergentes sobre os locais onde os pacientes eram atendidos. A responsável também já esteve à frente de outra clínica que foi alvo de investigação por suspeitas semelhantes.
O caso chegou ao 4º Distrito Policial de Goiânia depois que a Unimed identificou diferenças entre os registros que constavam no sistema, as listas de presença dos pacientes e os locais informados para a realização das terapias.
A principal suspeita é de que pacientes autorizados para receber atendimento em Santo Antônio de Goiás estariam sendo atendidos, na prática, em clínicas de Goiânia. A mudança no local, segundo a apuração, não corresponderia às condições inicialmente autorizadas pela operadora.
A auditoria da Unimed também apontou uma possível inconsistência no faturamento. Conforme o levantamento, a clínica teria informado ao plano de saúde que não havia rede credenciada suficiente em Santo Antônio de Goiás para atender os pacientes. Com isso, os procedimentos realizados em Goiânia teriam sido apresentados à operadora dentro de uma situação que, segundo a denúncia, não corresponderia à realidade.
Outro ponto que chamou a atenção dos auditores foram registros relacionados a uma unidade que já não mantinha parceria com a Unimed. Também foram identificadas situações em que funcionários das clínicas teriam orientados pacientes a solicitar atendimento em outro município.
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Responsável já esteve ligada a outra clínica investigada
A denúncia também cita a atuação anterior da responsável pela clínica de Santo Antônio de Goiás. Antes de assumir a unidade atualmente investigada, ela esteve à frente da Clínica Amitié – Núcleo de Desenvolvimento Infantil, em Goiânia.
A clínica também apareceu em uma representação criminal encaminhada ao Ministério Público após uma apuração da Unimed identificar possíveis irregularidades em cobranças de sessões terapêuticas.
Em um dos casos analisados, por exemplo, foram registradas 100 sessões de psicologia para um paciente, enquanto a documentação disponível comprovaria a realização de 50 atendimentos. A diferença levantou a suspeita de que procedimentos não realizados poderiam ter sido cobrados da operadora.
A situação, no entanto, faz parte de uma investigação própria e não significa, por si só, que as suspeitas envolvendo as duas clínicas tenham a mesma origem ou resultado.
Investigação envolve possíveis crimes
Na denúncia, a Unimed aponta possíveis crimes de estelionato, falsidade ideológica e associação criminosa. A Polícia Civil vai analisar os documentos e apurar se houve irregularidades.
O caso ocorre em meio a outras investigações sobre possíveis fraudes em atendimentos terapêuticos para crianças com TEA. Em Goiás, uma apuração da Polícia Civil no fim de 2025 identificou suspeitas em registros de atendimentos e faturamentos. Em São Paulo, uma operação realizada em abril deste ano também investigou clínicas por possíveis cobranças indevidas.
A investigação sobre a clínica de Santo Antônio de Goiás segue em andamento, e os envolvidos ainda podem apresentar suas versões.
O nome da ex-funcionária não foi divulgado e, por isso, a reportagem não conseguiu localizar a defesa dela para comentar o caso.
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