Tragédia com césio-137 em Goiânia ainda afeta 1.300 pessoas

Tragédia com césio-137 em Goiânia ainda afeta 1.300 pessoas

Via Folha de São Paulo – Após quase quatro décadas do acidente com o Césio-137, em Goiânia, cerca de 1.300 pessoas ainda convivem com as consequências da contaminação e seguem em acompanhamento. Parte delas enfrenta dificuldades para acessar tratamento e medicamentos, segundo a associação das vítimas do acidente, que acompanha 246 pessoas.

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A nova minissérie da Netflix, Emergência Radioativa, trouxe à tona uma tragédia que ainda não acabou. Em setembro de 1987, uma cápsula contendo o material radioativo césio-137 foi retirada de um aparelho médico abandonado em um hospital desativado. Sem saber do perigo, o material foi aberto em um ferro-velho, onde pessoas manusearam e espalharam entre familiares e vizinhos. Centenas de pessoas foram expostas à radiação e quatro morreram por efeito direto.

Johnny Massaro, protagonista de “Emergência Radioativa”, minissérie baseada no caso Césio 137 em Goiânia – Divulgação Netflix

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As vítimas do acidente sofrem problemas de saúde, como lesões na pele, hipertensão e outros efeitos do material radioativo. São tratadas com medicamentos e substâncias como o azul da Prússia (para eliminar o césio), diuréticos, antibióticos e hidratação forçada.

Mesmo diante desse quadro, o suporte oferecido a esse grupo é considerado precário, na avaliação da associação: parte das vítimas depende de doações para garantir remédios e transporte às consultas.

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Em nota, a Secretaria da Saúde do Governo de Goiás afirma que o estado mantém assistência especializada por meio do Centro Estadual de Assistência aos Radioacidentados Leide das Neves (Cara), com acompanhamento clínico contínuo e equipe multiprofissional. Segundo a pasta, cerca de mil pacientes contam com o Ipasgo Saúde (Assistência à Saúde dos Servidores Públicos e Militares do Estado de Goiás).

Imagem: Ilustrativa/IA

Segundo Marcelo Santos Neves, 60, presidente da Associação das Vítimas do Césio-137, nos primeiros anos após o acidente havia uma estrutura mais completa de auxílio. A entidade foi criada em 1988 por Odesson Alves Ferreira, irmão de Devair Alves Ferreira, dono do ferro-velho onde a cápsula foi aberta.

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As vítimas recebem R$ 954 de pensão, após anos sem reajuste. O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), enviou à Assembleia Legislativa um projeto para aumentar o benefício para R$ 1.621 em abril, podendo chegar a R$ 3.242 nos casos mais graves.

Segundo Neves, irregularidades no recebimento do benefício explicam o atraso no reajuste. Ele afirma que algumas pessoas não afetadas pelo acidente recebiam pensão de forma indevida, com base em laudos médicos falsos. “Enquanto isso era resolvido, não houve reajuste para quem merece”, diz.

Acidente radioativo mais grave da história do Brasil começou com o manuseio indevido de um aparelho de radioterapia (Foto: SES)

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Em material divulgado pelo governo, Ronaldo Caiado afirma que foi realizada uma auditoria na relação de beneficiários, que resultou na exclusão de pessoas que recebiam o pagamento de forma irregular, mas não especifica o número total.

Segundo a Secretaria da Saúde, atualmente 603 pessoas recebem o benefício estadual e 330, o benefício federal.

Além disso, algumas pessoas que tiveram contato indireto com a radiação ainda enfrentam dificuldades para obter o direito ao benefício. “Há vítimas lutando há 38 anos para serem reconhecidas”, diz Neves. A associação não diz quantas estariam nessas condições.

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Esses familiares também apresentam problemas de saúde, que podem estar relacionados à exposição ao elemento radioativo. “Hoje nós temos parentes das vítimas com esquizofrenia, depressão grave, câncer na tireoide”, relata o presidente da associação.

Foto: Reprodução Alego

Neves também foi uma das vítimas indiretas da radiação do Césio-137. Na época com 22 anos, ele era cozinheiro de um abrigo em apoio às vítimas e foi nesse ambiente que relata ter se contaminado. “Eu vivi isso de perto. Hoje tenho arritmia cardíaca e uso marcapasso.”

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Com a repercussão da minissérie, o presidente da associação compartilha a frustração das vítimas por não terem sido contatadas para detalhar as consequências do acidente radioativo. Ele diz que a gravação não foi feita em Goiânia, não correspondendo à realidade local.

Em nota, a produção da minissérie diz que parte das cenas foi gravada no interior de São Paulo e na região metropolitana da capital, com algumas cenas aéreas e externas de ruas em Goiânia. Apesar das críticas, Neves reconhece que a série trouxe novamente visibilidade ao caso.

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Fonte Original Mais Goias

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