Tradição de polenta frita marca vínculo entre mães e filhas no Dia das Mães
De mãe para filha
Receita e produção de prato típico de imigrantes italianos passa a cada geração
Irmãs preservam a tradição da polenta frita em Nova Veneza. (Foto: Guilherme Mendonça/Mais Goiás)
Iranilda Maria tem 62 anos e uma certeza que carrega desde criança: “não havia tempo ruim para o prato da mãe”. A polenta aparecia no café da manhã, no almoço, no jantar — sem cerimônia, sem ocasião especial. Era comida de todo dia, e era comida de amor.
Essa memória afetiva é o que move Iranilda, sua irmã Divina Aparecida, 59 anos, sua prima Ana Maria Mamedes, 66 anos, e a filha de Ana Maria, Adriana Constantino, 38 anos, a se reunirem todos os anos na Cantina da Nonna, no Festival Italiano de Nova Veneza, em Goiás, para fritar polenta para centenas de pessoas.
A história começa antes delas, porém. Começa com Santana do Carmo, mãe de Divina, que todo domingo punha a família em volta da cozinha e transformava o preparo da polenta em ritual de convivência. Começa com a mãe de Ana Maria, que aprendeu a receita com a própria mãe, que também a havia herdado. “A mãe aprendeu com a avó”, conta Ana Maria. “Agora estamos juntas todos os anos fazendo polenta para não deixar essa cultura morrer.”
Adriana é a geração mais nova desse círculo. Está no festival pelo terceiro ano consecutivo, de avental, ao lado das mais velhas, aprendendo pelo mesmo método que sempre funcionou: observando, fazendo, repetindo. O mesmo método que garantiu que a receita chegasse até ela.
É dentro dessa lógica — passada de mão em mão, de cozinha em cozinha, de mãe para filha — que a identidade italiana se manteve viva em Nova Veneza. Não em museus. Não em registros formais. Mas no gesto de quem ensina e no de quem aprende enquanto cozinha ao lado de quem ama.
O festival, que chega à sua 20ª edição de 28 a 31 de maio de 2026, é o palco onde esse saber se torna visível. A polenta frita é um dos pratos mais disputados pelo público — para este ano, a organização adquiriu 1,2 tonelada de fubá para dar conta da procura. Na Cantina da Nonna, cerca de cem cozinheiras se revezam nas receitas típicas.
Mas, para as quatro mulheres da mesma família que fritam polenta lado a lado, o festival é menos sobre o prato em si e mais sobre o que ele representa: a chance de honrar quem veio antes e de garantir que alguém continue depois.
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