Tetris e ‘cobrinha’: Casa Branca lança jogos com caça a imigrantes, deportação e muro na fronteira

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A Casa Branca lançou, na quinta-feira 3, jogos online para promover a política migratória do governo Donald Trump. Disponíveis no site oficial da Presidência americana, eles gamificam, com estética retrô, a captura e a deportação de estrangeiros sem documentos — iniciativa que provocou críticas de organizações de direitos humanos.
Um dos jogos, chamado Rio Run e inspirado no popular “jogo da cobrinha”, coloca o usuário no controle de uma versão digital do czar da fronteira dos Estados Unidos, Tom Homan, perseguindo imigrantes de diferentes tons de pele ao lado do Rio Grande, na fronteira com o México, para deportá-los.
Outro jogo, baseado na dinâmica de encaixe de blocos do clássico Tetris, se chama Build the Wall (“Construa o Muro”). A proposta é erguer uma grande barreira na fronteira mexicana sob o slogan “Proteja a fronteira da horda que se aproxima”. Há ainda um terceiro jogo relacionado às chamadas “contas Trump”, programa de investimentos destinado a crianças nascidas entre 2025 e 2028.
A iniciativa foi recebida com indignação por grupos de defesa dos direitos dos imigrantes. “Isso me dá nojo. Eles passam anos brincando com a vida das pessoas e agora fazem um videogame com suas ações”, declarou à AFP Amérika García Grewal, codiretora da ONG Frontera Federation, sediada no Texas.
A Casa Branca, por sua vez, defendeu os jogos, afirmando que eles buscam apresentar as realizações do governo de uma maneira capaz de alcançar o público americano. Segundo o governo, a iniciativa “ressalta ainda mais o contraste entre uma cultura ‘divertida’ e ‘de sucesso’ e a visão socialista sombria que os democratas têm para os Estados Unidos”.
Cerco à imigração
O lançamento dos jogos ocorre em meio à intensificação das operações de prisão e deportação de imigrantes nos Estados Unidos. Em julho, o ICE, a polícia de imigração americana, prendeu 49. 571 pessoas, o maior número de detenções registrado em um único mês desde o início do segundo mandato de Trump, e também o mais alto em pelo menos quatro anos.
Impulsionado por um aumento de US$ 70 bilhões em verbas (R$ 360 bilhões), o Departamento de Segurança Interna americano (DHS, na sigla em inglês), que supervisiona o ICE, vem tentando atingir a meta da Casa Branca de 2 mil prisões por dia. Imigrantes são detidos em situações diversas — ao comparecerem a compromissos obrigatórios nos escritórios do ICE, em abordagens de trânsito, em frente às suas casas e, cada vez mais, em aeroportos dos Estados Unidos.
Os números mostram que o governo Trump continuou avançando com seu amplo cerco contra a imigração, que também envolve a suspensão de iniciativas de asilo e restrições à obtenção de Green Card.
Há poucos dias, o governo americano divulgou uma proposta para tornar permanente uma taxa de US$ 103 mil (mais de R$ 530 mil, na cotação atual) para a emissão de novos vistos H-1B, aqueles destinados a trabalhadores estrangeiros altamente qualificados. A medida sem precedentes deve afetar, em especial, os setores de tecnologia, educação e pesquisa.
Além da expulsão de quem está em solo americano, as medidas provocaram um desincentivo à imigração. No ano passado, apenas 344 mil vistos H-1B foram solicitados, uma queda de mais de 25% em relação a 2024 e menos da metade dos 794 mil vistos solicitados em 2023.
