Técnico do Irã denuncia nova injustiça contra seu time na Copa

Técnico do Irã denuncia nova injustiça contra seu time na Copa

O técnico da seleção do Irã, Amir Ghalenoei,  usou a entrevista coletiva protocolar da véspera da partida contra a Bélgica, que acontece neste domingo, 21, para denunciar que seu time teve menos de 24 horas para se preparar. “A Bélgica chegou ontem (sexta-feira, 19) ao meio-dia, teve o sábado inteiro para treinar e descansar. Nós chegamos 18 horas antes da partida, nem consegui fazer o treino completo que tínhamos programado. Não há equanimidade”, disse Ghalenoei.

O treinador afirmou que a situação foi ainda pior do que na primeira rodada, quando o Irã teve 24 horas de preparação antes de entrar em campo contra a Nova Zelândia. A causa é conhecida: os Estados Unidos não permitiram que a delegação iraniana se hospedasse e treinasse no país, como havia sido planejada inicialmente. A delegação teve que mudar sua base de Tucson, no estado do Arizona, para a cidade mexicana de Tijuana. Além disso, integrantes da delegação iraniana tivera seus vistos negados. “Nosso presidente da federação não pode estar aqui para nos dar apoio. Ele é como nosso pai, mas não contamos com ele aqui. Isso não tem nada a ver com política, é uma questão de humanidade, justiça e equanimidade.”

O volante Saeid Ezzatollahi reforçou o peso do desgaste. “Passamos muito mais tempo viajando do que os outros times. A fadiga mental é dura. Todos os jogadores gostariam de ter um familiar aqui. Todas as outras seleções tem esse direito, mas nós não. Precisamos de toda uma comissão técnica que também não pode entrar”, afirmou o iraniano.

Ghalenoei disse que a Fifa e seu presidente, Gianni Infantino, têm tentado amenizar os problemas, mas sem sucesso pleno. Na sexta-feira, 19, ele chegou a receber uma ligação perguntando se o time conseguiria embarcar às 18h. A delegação se preparou para a viagem, em vão. Às 19h chegou uma nova ligação dizendo que não foi possível completar o plano. “Eu deveria estar focado no campo, mas estou estressado com logística”, afirmou. 

Segundo Ghalenoei, há uma promessa de que para o terceiro jogo da fase de grupos, contra o Egito, em Seattle, no dia 25 de junho, a equipe tenha autorização para entrar nos Estados Unidos com dois dias de antecedência. Enquanto Los Angeles fica a apenas 200 quilômetros de Tijuana, Seattle está a mais de 1 700 quilômetros.  “Só não entendo por que não fizeram o mesmo para os dois primeiros jogos.”

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Tanto o treinador, quanto o volante evitaram tocar no assunto da guerra entre o Irã e os Estados Unidos. Ghalenoei, inclusive, deu uma cutucada no técnico da Bélgica, adversário deste domingo, por seu silêncio quanto ao que considera – com razão – uma injustiça que mancha a Copa do Mundo. “Hoje vi meu colega, técnico da Bélgica, dizer que não quer falar de política. Eu também não quero! Eu só quero o mesmo tempo de preparação, treino e descanso de meus adversários, mas nenhum deles mostrou solidariedade a nós”.

O Irã enfrenta a Bélgica neste domingo, 21, às 16h (horário de Brasília), no Estádio de Los Angeles, pela segunda rodada do Grupo G.

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