qual risco para o Brasil? Ministério da Saúde revela

qual risco para o Brasil? Ministério da Saúde revela

A poucos dias do carnaval, o Ministério da Saúde esclarece que o Brasil não tem nenhum caso do vírus Nipah, cuja letalidade pode chegar a 75% dos infectados, confirmado. O patógeno provocou recentemente um surto na Índia e uma morte em Bangladesh.

De acordo com a pasta, o risco de uma pandemia causada pelo vírus continua sendo considerado baixo, e o Brasil mantém protocolos permanentes de vigilância. “Não há, portanto, nenhuma evidência de disseminação internacional ou risco para a população brasileira”, afirma em nota.

“Além disso, o vírus está associado a espécies específicas de morcegos que não existem no Brasil, o que afasta qualquer indicação de risco para a população brasileira no momento”, continua.

A pasta destaca ainda a avaliação recente da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre o vírus Nipah. “A OMS avalia que o risco geral à saúde pública representado pelo NiV é baixo nos níveis nacional, regional e global. O risco de disseminação internacional da doença é considerado baixo.”, disse a organização.

Casos recentes

Segundo a OMS, Bangladesh notificou, no último dia 3, um caso do Nipah na Divisão de Rajshahi. A paciente desenvolveu febre e sintomas neurológicos em 21 de janeiro, foi internada uma semana depois e morreu no mesmo dia.

A vítima, uma mulher entre 40 e 50 anos, relatou consumo repetido de seiva crua de tamareira entre 5 e 20 de janeiro, o que está sendo investigado como uma possível fonte da contaminação.

Um total de 35 pessoas próximas foram acompanhadas, incluindo seis que apresentaram sintomas possivelmente ligados ao Nipah, mas que testaram negativo para o vírus. Até 3 de fevereiro, nenhum caso adicional foi identificado, mas as pessoas permanecem sob monitoramento.

Já na Índia, dois casos do vírus foram registrados no estado de Bengala Ocidental. Os pacientes, uma mulher e um homem, são enfermeiros de 25 anos que trabalham no mesmo hospital na cidade de Barasat.

Eles desenvolveram os primeiros sintomas na última semana de dezembro, que evoluíram rapidamente para complicações neurológicas. Em 13 de janeiro, os casos foram confirmados como do vírus Nipah.

Na atualização mais recente, o homem estava se recuperando, enquanto a mulher continuava em estado crítico. Segundo o Ministério da Saúde indiano, o surto foi contido após 196 contatos ligados aos casos terem sido rastreados e testados.

O que é o vírus Nipah

O vírus Nipah (NiV) circula principalmente entre morcegos do gênero Pteropus que se alimentam de frutas, mas pode ser transmitido a outros animais e a humanos por meio de alimentos contaminados ou diretamente entre as pessoas.

Quando o indivíduo é infectado, o Nipah se manifesta de diferentes formas, desde doenças respiratórias até encefalites (inflamação no cérebro) fatais, segundo informações da OMS.

Sintomas do Nipah

Geralmente, os sintomas começam com febre, dores de cabeça, mialgia (dor muscular), vômitos e dor de garganta, que podem ser seguidos por tonturas, sonolência, consciência alterada e sinais neurológicos que indicam encefalite aguda.

Algumas pessoas também podem experimentar pneumonia atípica e problemas respiratórios graves, incluindo desconforto respiratório agudo.

A encefalite e as convulsões ocorrem em casos graves, progredindo para o coma dentro de 24 a 48 horas. Acredita-se que o período de incubação do vírus, o intervalo entre a infecção e o início dos sintomas, seja de 4 a 14 dias. Um período de incubação de até 45 dias, porém, já foi relatado.

Segundo um estudo de pesquisadores do Japão e de Bangladesh, publicado na revista científica IJID Regions, desde a descoberta do vírus, em 1998, até maio de 2024, foram registrados 754 casos humanos em Bangladesh, Índia, Malásia, Filipinas e Singapura, com 435 mortes, ou seja, uma taxa de letalidade média de 58%.

No entanto, esse percentual variou entre os países. Na Índia, por exemplo, 73% dos pacientes infectados morreram. Segundo a OMS, a taxa geralmente é de 40% a 75% dos casos, a depender do surto e das capacidades locais para vigilância epidemiológica e atendimento médico.

Não existem medicamentos ou vacinas específicos para a infecção pelo vírus Nipah, embora a OMS tenha identificado o agente infeccioso como uma das doenças prioritárias para o Projeto de Pesquisa e Desenvolvimento da organização.

O tratamento atual envolve cuidados intensivos de suporte para tratar a respiração grave e complicações neurológicas.

Origem do vírus Nipah

O vírus Nipah foi reconhecido pela primeira vez em 1999 durante um surto entre fazendeiros de porcos na Malásia. Desde então, tem provocado pequenos surtos em Bangladesh, Índia, Malásia, Filipinas e Singapura.

Os morcegos hospedeiros do vírus, no entanto, são encontrados em toda a Ásia e no Pacífico Sul, incluindo Camboja, Gana, Indonésia, Madagascar, Filipinas, Tailândia, e na Austrália.

No primeiro surto identificado, há quase 30 anos, a contaminação ocorreu pelo consumo de porcos doentes. Em surtos em Bangladesh e na Índia, o consumo de frutas ou produtos de frutas contaminados com urina ou saliva dos morcegos foi considerado a fonte mais provável de infecção.

Transmissão do vírus Nipah

Já a transmissão entre humanos foi relatada entre familiares e cuidadores de pacientes contaminados por meio do contato próximo com as secreções e excreções das pessoas. No surto indiano de 2001 2001, por exemplo, 75% dos casos ocorreram entre funcionários ou visitantes de um hospital.

De 2001 a 2008, cerca de metade dos casos relatados em Bangladesh foram devido à transmissão de humano para humano por meio da prestação de cuidados a pacientes infectados.

*VIA O GLOBO

Fonte Original Mais Goias

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