Professor Noslen: Eu giro ou eu gero? O erro de português que até gestores cometem

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Fala, pessoas!
Mais uma coluna Na Ponta da Língua aqui na VEJA. E hoje o tema é especialmente para quem quer dominar não só os negócios, mas também a forma como se comunica, afinal, um bom líder também precisa ser o CEO da própria linguagem.
Na semana passada, participei de uma imersão para empresários chamada Traktion. Entre diversos temas relevantes, um deles chamou minha atenção e não foi exatamente pelo conteúdo, mas pela forma como foi dito.
Um dos participantes, gestor financeiro, afirmou no palco:
“Hoje eu giro mais de 2 bilhões de reais.”
A frase impactou, mas também acendeu um alerta linguístico. Afinal, será que o verbo estava correto?
Na prática, o profissional queria dizer que administra esse valor. Ou seja, o verbo correto seria gerir, não girar. Mas aí surge a dúvida clássica:
O certo é eu gero, eu giro ou… eu gereio?
Calma. Vamos resolver isso de uma vez por todas.
Como conjugar o verbo gerir corretamente
O verbo gerir é classificado como irregular (ou defectivo, dependendo da gramática adotada). E o grande ponto de atenção está na primeira pessoa do singular.
Ele sofre uma alteração importante: o “E” muda para “I” em algumas conjugações.
Veja como fica no presente do indicativo:
- Eu giro
- Tu geres
- Ele gere
- Nós gerimos
- Vós geris
- Eles gerem
Sim, você leu certo: “eu giro” está correto, mesmo sendo igual ao verbo girar.
Mas isso não gera confusão?
Sim, e esse fenômeno tem nome: homonímia.
Ou seja, palavras com a mesma forma (escrita e som), mas com significados diferentes.
Veja:
- “Eu giro os recursos da empresa com responsabilidade.” (gerenciar)
- “Eu giro a roleta da sorte.” (rodar)
Aqui entra um princípio fundamental da comunicação: o contexto é soberano.
Cuidado com outro erro comum: gerar ≠ gerir
Esse é um dos deslizes mais frequentes no ambiente corporativo.
- Quem gera, cria → “Eu gero resultados.”
- Quem gere, administra → “Eu giro a empresa.”
Misturar os dois pode parecer detalhe, mas comunica falta de precisão.
Conclusão
Se você quer se destacar profissionalmente, não basta apenas dominar números, estratégias ou processos: a forma como você se expressa também constrói sua autoridade.
Evite dizer “eu gero” quando quiser falar de gestão. Caso contrário, você estará “criando” algo, e não administrando.
E convenhamos: no mundo dos negócios, essa diferença importa — e muito.
Já tinha se confundido com “eu giro”? Agora não mais.
Nos vemos na próxima coluna, sempre trazendo dicas práticas para deixar seu português à altura de cargos de liderança.
E não se esqueça: toda terça e quinta tem coluna nova por aqui. Até a próxima!
Professor Noslen Borges
www.professornoslen.com.br Revisão textual: Mª. Glaucia Dissenha de Oliveira
