Professor ‘cria’ mulher idosa para estudar Sandy e agora mira em Anitta

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A pesquisa científica que transformou Sandy em um objeto de estudo na Unicamp ganhou um personagem que vai além da cantora. Aparecida Eule, heterônimo criado para assinar o trabalho, tem mais de 75 anos, é leitora, gosta de navegar pela internet e, segundo seu criador, “tem mente afiada”. A ideia surgiu durante a própria construção do estudo, quando o pesquisador Fábio Piantoni, 42, percebeu que aquela análise precisava partir da perspectiva de uma mulher mais velha.
“A Aparecida dá uma sacudida na voz feminina e mostra como uma mulher pode ser filósofa falando de situações aparentemente cotidianas e triviais, mas que refletem toda a nossa sociedade”, explica à coluna GENTE o professor de Língua Portuguesa e mestre em Divulgação Científica e Cultural pelo laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor) da Unicamp.
O trabalho levou dois anos até ser reconhecido academicamente como um estudo produzido pelo heterônimo. Fábio conta que chegou a desistir da ideia antes de receber o aval da universidade: “Parecia algo muito inusitado e difícil de ser aceito academicamente. Quando veio a confirmação, fiquei muito contente”.
Publicado em uma revista da Unicamp, o estudo analisou as músicas Me Espera, Areia, Pra Me Refazer e Eu Pra Você para investigar como diferentes vozes e parcerias interferem nos sentidos das canções. Embora seja fã da cantora, Fábio buscou restringir seu estudo à artista. “O método foi estudar Sandy como posição artística e como posição-sujeito dentro de um conjunto de referências entre mulheres. Analisamos aquilo que era mais ouvido, mais acessado e que mais circulava”, pontua.
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O pesquisador não chegou a ter contato com Sandy para a análise por achá-la “inacessível”, mas ficou surpreso com a reação da cantora, que afirmou nas redes estar homenageada e grata pelo trabalho. “A gente escreve pensando que talvez não encontre um leitor lá fora. Quando encontra, fica muito contente. ”
Agora, Fábio, ou melhor, Aparecida Eule, já tem Anitta como novo objeto de estudo. O próximo trabalho partirá de Pra Você Gostar De Mim, do recente álbum Equilibrivm II, em que a cantora dialoga com Carmen Miranda. “Esse ‘você’ da Anitta junto com a Carmen Miranda pode trazer novos significados ali para a composição”, afirma. Para desenvolver a pesquisa, Aparecida deverá passar um período no Rio de Janeiro com o objetivo de compreender melhor a relação da cantora com a cidade. Enquanto isso, Fábio segue escrevendo por conta própria. “Existe um revezamento para decidir quem toma conta da caneta”, conclui.
