Prejuízo dos Correios triplica e chega a R$ 8,5 bi em 2025

Prejuízo dos Correios triplica e chega a R$ 8,5 bi em 2025

(Folhapress) Os Correios tiveram um prejuízo de R$ 8,5 bilhões em 2025, mais do que o triplo do resultado negativo registrado no ano anterior, após uma queda na receita total.

O resultado foi divulgado durante entrevista coletiva nesta quinta-feira (23), em que o presidente da empresa, Emmanoel Rondon, mostrou os resultados do plano de reestruturação da estatal e minimizou a adesão abaixo da meta ao PDV (Programa de Desligamento Voluntário).

O plano de reestruturação dos Correios foi anunciado no fim de 2025 como contrapartida para um empréstimo de R$ 12 bilhões concedido pelos cinco maiores bancos do país, com o objetivo de salvar as contas da empresa. Em caso de inadimplência da estatal, a União, que dá garantia ao empréstimo, vai arcar com os pagamentos.

Agência dos Correios (Foto: Divulgação)

O PDV, uma das apostas da estatal para reduzir as despesas, teve a adesão de apenas 32% da meta estipulada pela diretoria, com a demissão de 3.181 funcionários.

Os Correios encerraram o ano com um patrimônio líquido negativo de R$ 13,1 bilhões. A receita bruta total foi de R$ 17,3 bilhões em 2025, uma queda de 11,35% em relação a 2024, quando o prejuízo foi de R$ 2,6 bilhões.

Em 2025, além da queda na receita bruta, a empresa teve ainda um aumento com gastos com processos judiciais, sendo R$ 6,4 bilhões pagos em precatórios —um aumento de 55% em comparação a 2024.

No PDV, o plano original dos Correios era alcançar 10 mil empregados, o equivalente a 12,7% do total de funcionários da empresa. A empresa prorrogou o prazo para aderir em uma semana para atrair mais pessoas, mas a meta ainda assim não foi atingida.

Carro dos Correios (Foto: Divulgação)

No PDV de 2024 e 2025, foram 3.756 desligamentos. De acordo com a empresa, a medida representou uma economia de R$ 147,1 milhões em 2025 e de R$ 775,7 milhões em 2026. O período da adesão, no entanto, foi de 12 meses, maior do que o deste ano, que durou apenas dois.

Como mostrou a Folha, a empresa projetou uma economia de R$ 1,4 bilhão para 2027, se a meta de 10 mil adesões ao PDV fosse atingida. Mas, segundo a estatal, a economia com os 3.181 desligados será equivalente a 40% da meta projetada.

“Está coerente com o que precisávamos. Temos 40% da economia projetada. Enxergamos um payback de cinco meses. Como o salário médio foi mais alto do que tínhamos projetado, o resultado deve ser maior”, afirmou Rondon.

Carteiro dos Correios (Foto: Divulgação)

No plano de reestruturação, a primeira fase previa a recuperação da liquidez, com o objetivo de regularizar os compromissos da empresa. Segundo os Correios, 97% dos valores devidos já foram quitados ou renegociados nessa fase inicial, o que abre espaço para o avanço à segunda fase, de estabilização do resultado.

O plano de reestruturação prevê, além do PDV, a venda de imóveis, com potencial de receita de R$ 1,5 bilhão, segundo a empresa. Além disso, a estatal também prevê a redução de até mil pontos de atendimento deficitários.

Os Correios têm cerca de 10 mil unidades de atendimento. Dessas, 7.000 são próprias ou franqueadas. Do total, 85% eram deficitárias, segundo relatório da companhia de 2024. Até agora, segundo o presidente, foram 68 unidades fechadas.

A segunda fase foi iniciada em janeiro de 2026, quando a empresa fez negociação com fornecedores para uma economia de R$ 321 milhões, de acordo com os Correios.

Funcionário dos Correios durante expediente (Foto: Divulgação)

A estatal também promoveu, até março deste ano, outras medidas previstas na reestruturação. Entre elas, o parcelamento de R$ 702 milhões em precatórios a serem pagos até dezembro e de R$ 2,5 bilhões em tributos, divididos em 60 parcelas, após negociação com a Receita Federal.

O plano de reestruturação contempla três fases, segundo a empresa: recuperação financeira, consolidação e crescimento. Com o plano, os Correios afirmam que a meta é reduzir o déficit em 2026 e retornar à lucratividade em 2027.

O empréstimo de R$ 12 bilhões concedido pelos bancos cobre parte das necessidades financeiras da empresa. A gestão da companhia mapeou um buraco de R$ 20 bilhões no caixa da empresa, como revelou a Folha.

“Temos estrutura de custos rígida, o que cria uma certa inércia para mudar a estrutura de alguns custos da empresa, além de uma concorrência acirrada no e-commerce, que tem desenvolvido logística própria”, disse o presidente.

Fonte Original Mais Goias

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